Vejo-te pôr o sexo num tupperware. Pões desejos numa caixinha, tipo mealheiro. Um todos os meses.
Pões medos noutra caixinha, um a cada hora. O rácio fica ao cargo de quem te fez as orelhas.
Sexo primeiro, comida depois.
Vejo-te fazer isso tudo. Telemóvel, computador, cérebro, andar, correr, suar. Entre eles e elas lembras-te de mim. Vais-me fazendo crer que existo. Vais-me alimentando, vês-me crescer. Fechas os olhos e estou lá. Tens tanto medo de me perder, não confias nem sequer em ti. Tens medo que fuja. Por isso corres, corres e corres. Corres até mim (fechas os olhos) e corres os dedos sobre a ferramenta. Sentes o plástico, acrílico, metal; cheiras o doce papel, a ácida tinta que me mancha. Não me queres manchar nem desmanchar . Eu sei que tens muito medo de me perder por entre segundos momentos e areias movediças e humanos que nos interrompem as alegrias.
E eu sei que te faço feliz.
Posso não fazer-te sorrir... mas faço-te mexer.
E o coração bate simpático e saudável. (Saudável já foi mais relevante.)
Como uma luva cabe num coto.
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