Dia 1
Já referimos que o nosso sistema circulatório está intacto?
Já referimos que não temos qualquer deficiência no sistema nervoso simpático, que as hormonas vão e vêm conforme adequado e também que o nosso lesbianismo é puramente cultural?
Pronto, só para confirmar. Não sabemos porquê, diga-nos senhora Doutora, porque é que não sabemos distinguir entre falta de ar e excitação? Acontece tudo ao mesmo tempo, sabe. Como é que vamos sentir dor se nos obrigam a imaginar prazer? Pare de forjar simpatia, pare de forjar tinta, pare de forjar ligação. Não há. Não temos em nós essa facilidade, esse cinzento escuro que tanto pode ser carne como peixe. Não temos.
Porque sentimos inveja de algo que ainda poderíamos ter? Não gostamos nada que nos contem o final. Não nos conte! Será que devíamos sentir-nos especiais por ter faltas de ar, batimentos cardíacos irregulares e dores fantasmas aliciantes? Não devemos ser os únicos no planeta - isso seria muito estranho. Muito estranho, de facto.
Dia 2
És transparente. Deixa-te de honestidades. Cava a carne um pouco mais fundo. Vais ver que encontras a sorte de que precisas. Pára de brincar com bonecas - eu posso ser o horóscopo que quiseres. Corta-me em duas, três ou quatro. Não te peço exclusividade. Não sou ciumenta. Posso ser atendedor de chamadas, orientadora, diva, borboleta, conselheira, animal, bruxa. As opções são infinitas. Se tu ao menos assumisses a minissaia... poupavas-me um armário novo.
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