Hoje bati com o carro. Não tinha lá a minha irmã mais velha para me segurar a mãozinha e preencher a declaração amigável comigo. Quem me manda não parar em sinais de STOP especialmente em cruzamentos com pouca visibilidade? A minha irmã arranjava forma de dizer que eu era inocente. Eu sei que eu também arranjava forma de dizer que estava inocente. Mas como estava sozinha não precisava de armar o teatro. Culpada. Mandem a conta, alguém há-de pagar. Só me queria despachar porque tinha a orgia à espera.
Orgia a um domingo? Há demasiadas músicas sobre domingos.
Enquanto preenchia os papéis pensava nos nomes das pessoas que com quem vou trocar mais do que números de apólice. Penso no incómodo que é não ter declarações amigáveis no carro e nem sequer uma caneta. Paralelo com a orgia seria não haver preservativos, lubrificante, velinhas acesas numa escuridão forçada de estores descidos e apagões.
Até a merda de um acidente me inspira. Entre mim e o sinal STOP é só um quasi-orgasmo.
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