Esta dicotomia insolúvel vai estar sempre presente, como uma cicatriz de acidentes passados. O acidente de acabar um capítulo e começar outro - sempre vi uma quebra no ritmo como um acidente. E toda a gente sabe que os acidentes deixam marcas. Marca-me e desmarca-me como o teu marcador favorito faz no livro que tens de ler para a escola. Negros são os rios de tinta que derramas das veias directamente para o papel. O papel que tens de desempenhar hoje mas não te apetece. Apetece-te comer aquele gajo daquele café que te olha todos os dias com os mesmos olhos de quem não leu o capítulo anterior mas está a tentar fingir que sim. E tu, que vês tudo a quilómetros, não vês pormenores mas também não fodes.
Escolhas.
Recebemos mais estímulos agora do que durante toda a nossa vida. Por isso não somos um. Somos muitos. Cada estímulo, cada reacção. Já não vamos só aos pormenores, ficamos por cima da mesa de chá a ver os acontecimentos rolarem na câmara. Reagimos exactamente como queremos reagir, tal não é a apatia. Escolhemos isto porque é o que nos apetece no momento.
Quero confundir-te, pôr-te uma venda, rodar-te em círculos, mandar-te para o meio da auto-estrada. Depois sigo caminho, espero que te arrependas e, rastejando, acredites em mim. Sou a tua santa para hoje, tem fé.
Quero que duvides sempre de tudo, duvida de ti. Não há verdades absolutas. Nem na ciência. (Eles duvidam sempre.)
Não te enganes. As cábulas e as manchas de sol no tecto também te dizem para paráres de as usar, abusar delas e, especialmente, parares de consumir raios de sol, trovões e nuvens carregadas de afecto.
Nunca mais vou consumir fora de prazo. Aprendi a lição.
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