Eu só tenho a certeza do que se está a passar porque olho directamente para a luz. E, mesmo assim, duvido sempre. Porque eu sei, e tu sabes, e o universo sabe, que há sempre uma lente gravitacional em acção que nos vai distorcer tudo. O sabor desta mousse de manga, a tua memória de merda e as imagens que colocas no teu site. No teu cantinho. Aquele que, supostamente, mais ninguém conhece.
Não são quarenta e dois músculos que me vão dizer o que estou a sentir. Não, não. Até porque em cada espelho sou uma diferente. Nunca saio sem tomar um duche e ver-me ao espelho. Deixo um pedaço de mim em cada canto. Não marco território, livro-me de fenótipos e arranjo outros lá fora.
Gosto de espalhar coisas minhas por todo o lado. Roupa, ar, ADN, o meu bom gosto e recriar o teu mau gosto. Trios de sarilhos irrequietos.
Só mais uma vez. Liga-me só mais uma vez à corrente. Por favor, só mais uma vez faz-me sentir bonita e relevante. Eu sei que não sou, mas quero sentir essa electricidade viciante. Concentra-te em mim e deixa os outros em segundo plano. Eu sei que nunca vais ter um fantoche favorito. Mas essa electricidade provoca tantas invejas quanto gotinhas de prazer. (Não vais fechar a torneira nunca.)
Conselho: pede o teu peluche em casamento.
É tão impossível sentir empatia como de tu aprenderes japonês a um nível nativo, nesta geração ainda.
Sou tabula rasa, não preciso de estandartes ou clichés. Sou aquilo que quiser ser. Sem moral, sem personalidade, sem caprichos ou intenções, nem capacidades nem orgulhos. Sou tabula rasa.
A minha única ambição é a neuroplasticidade.
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