Thursday, January 19, 2012

E a ironia de ter quasi-autistas a avaliar a empatia de terceiros. E a ironia brutal que é ter escrito isto há dois dias e hoje ter reparado na maior prova de que estou certa. Asperger olha para mim, sabe que estou a tirar-lhe o palco. Asperger quer muita atenção só que não diz nada. Deixa para os outros repararem.

---------------------------------------------------------------------------------------------------

E a ironia de gastar mais dinheiro na farmácia do que na Sex Shop. Está tão errado. Preferia que fosse ao contrário. O dinheiro devia quantificar as horas de diversão. Como naquela distopia do Channel 4.

---------------------------------------------------------------------------------------------------

Para me esquecer das ironias penteio o cabelo com o sangue que me jorra do nariz ou do ânus - tanto faz. Sangue é vida - dizem as campanhas para dadores de sangue. Não passes por mim como se eu não existisse só porque preferias que isso fosse verdade. Cheira o meu sangue e saberás.

Deixa estar, eu saio do caminho e atravesso aquela porta para não ser desagradável. (Já me atravessaste o suficiente).

Agora devolve-me as jóias, o carro e os livros em segunda-mão que te emprestei. Devolve-me o tecto e os lençóis nos quais me dormiste. Devolve-me tudo. Isto não é um divórcio, é um funeral provisório mas antecipado.

És comboios que passam mas não param na minha estação, e és um depósito de gasolina com álcool etílico e uma cabeleira sem ter cancro. E és a dor à qual não me habituei e o prazer que auto-bloqueei. Ficas pálida comigo mas colorida com quem não teme. Assume a tua falta de escolha. Assume ou vais directamente para a prisão sem passar na casa-partida.

(Se assumires ainda te dou uma última jogada.)

E se quiseres volto-te contra a parede e faço aquilo que mais ninguém te fez. É só dizeres a palavra.

No comments:

Post a Comment