Wednesday, January 4, 2012

Como não confio em ninguém, ponho creme repelente na cona. Sou a menina mais bonita do bairro. Uso saia rodada e blusa às bolinhas. O batom vermelho, guardo-o para as festas de swingers. Dizem que cheiro a maracujá mas só eu sei o segredo: cheiro a esperma e cheiro bem.

A minha cona nunca fica em coma, e se ficar, melhor para mim. Sensação de existência minimizada. As particulas de luz não se atraem ou repelem. Deambulam.


Para me preparar para as dinâmicas de grupo, faço um ménage. Para despertar o relógio biológico, apaixono-me. Para arranjar emprego, colo com cuspo uma foto no CV. Para ganhar um concurso, durmo com o organizador. Para esquecer um falhanço, fodo anonimamente. Para ter paz de espírito, arranjo uma amante. Para me impressionar, comes fora.


Para justificar a minha genética: não olho para rabos ruivos.


E isto não são bocas, e isto não é um perfil, e isto não são dicas. E isto não é uma FAQ e isto não é o que penso que possa ser. Isto é aquilo que não tens e não tenho e não sou e não somos. É a capa de um livro conservador e a contra-capa da tua cabeça sem brancos.


Não estão a facilitar nada, nem a complicar nada, nem a dissecar nada. Não me chateiem! Felizmente ainda têm o meu falso QI e ainda sabem ver quem é bom e mau actor. Sabem algumas coisas, não muitas. Querem saber mais ("tudo").


Não quero sofrer de daltonismo e nem de analfabetismo. As línguas todas que eu sei ainda me vão dar luz e o teu suor ainda me vai matar a sede. As línguas que nós três sabemos ainda nos vão dar frutos.


No Uganda, actualmente, sofrem muito do Nodding Syndrome. Mas eu cá, acho que já se propagou, secretamente, tipo epidemia. Sim, sim.

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