Vejo-te pôr o sexo num tupperware. Pões desejos numa caixinha, tipo mealheiro. Um todos os meses.
Pões medos noutra caixinha, um a cada hora. O rácio fica ao cargo de quem te fez as orelhas.
Sexo primeiro, comida depois.
Vejo-te fazer isso tudo. Telemóvel, computador, cérebro, andar, correr, suar. Entre eles e elas lembras-te de mim. Vais-me fazendo crer que existo. Vais-me alimentando, vês-me crescer. Fechas os olhos e estou lá. Tens tanto medo de me perder, não confias nem sequer em ti. Tens medo que fuja. Por isso corres, corres e corres. Corres até mim (fechas os olhos) e corres os dedos sobre a ferramenta. Sentes o plástico, acrílico, metal; cheiras o doce papel, a ácida tinta que me mancha. Não me queres manchar nem desmanchar . Eu sei que tens muito medo de me perder por entre segundos momentos e areias movediças e humanos que nos interrompem as alegrias.
E eu sei que te faço feliz.
Posso não fazer-te sorrir... mas faço-te mexer.
E o coração bate simpático e saudável. (Saudável já foi mais relevante.)
Como uma luva cabe num coto.
Tuesday, January 31, 2012
Monday, January 30, 2012
Uma virgem
Duas virgens
Três virgens
Quatro virgens
Um cesto de virgens, um colinho quentinho. Uma impressão de hímenes e uma torrente de glóbulos e mucosas. Uma promessa ou uma história para adormecer.
Uma bandeira espetada no lugar errado. Aquele rabo redondo e branco não era exactamente o lombo numa tourada. A tua bandeira não tem cores e confetes; tem veneno, mel e cidra.
És bebida energética que não se esgota. És pipoca a preço de chuva. És unicornio negro. És o sinal debaixo da pele. (És chip sob epiderme. E és picante na ponta da língua.)
sem sabor
sem sabor
sem sabor
sem sabor
Saturday, January 28, 2012
A Gabriela não pode ser violada.
A Gabriela merecia que arcos-íris lhe saíssem por todos os orifícios do corpo.
Por todos os orifícios e poros.
Em todos os órgãos vitais, arcos-íris reluzentes e cintilantes.
Em cada centímetro de pele macia, estrelas-cadentes sossegadas.
No seu colo, animais com apenas meses de vida (porque são mais fofos).
Beneficiar dos seus carinhos, só os mais puros.
A Gabriela não pode ser violada porque é boa demais.
A Gabriela devia beneficiar de todo o carinho possível.
A Gabriela merece todas as flores do quintal e toda a lã do meu mé-mé.
Porque a Gabriela ama todo o mundo e todo o mundo ama a Gabriela.
Se a Gabriela fosse violada seria porque era boa demais para mim.
De todos os orifícios e poros, a Gabriela transpira amor e carinho.
A Gabriela só nos ama assim.
A Gabriela merecia que arcos-íris lhe saíssem por todos os orifícios do corpo.
Por todos os orifícios e poros.
Em todos os órgãos vitais, arcos-íris reluzentes e cintilantes.
Em cada centímetro de pele macia, estrelas-cadentes sossegadas.
No seu colo, animais com apenas meses de vida (porque são mais fofos).
Beneficiar dos seus carinhos, só os mais puros.
A Gabriela não pode ser violada porque é boa demais.
A Gabriela devia beneficiar de todo o carinho possível.
A Gabriela merece todas as flores do quintal e toda a lã do meu mé-mé.
Porque a Gabriela ama todo o mundo e todo o mundo ama a Gabriela.
Se a Gabriela fosse violada seria porque era boa demais para mim.
De todos os orifícios e poros, a Gabriela transpira amor e carinho.
A Gabriela só nos ama assim.
Sem querer substituo prazer por dor. Concentro-me na dor. Entre aspas não sei onde estou. Questiono a pélvis. Questiono as pedras desta calçada que me espelham e me repeliam.
Sete meses são sete anos e sete canções não cantadas mas repetidas num filme mudo com cantores mudos.
E agora devolvem-se presentes de casamento. Ups, não... Não tenho nada para te devolver. Porque nunca me deste nada. A não ser que queiras que cuspa a saliva que aceitaste na casa do poeta. Cuspo-te na cara (já não ofereço nada com carinho).
Sete meses são sete anos e sete canções não cantadas mas repetidas num filme mudo com cantores mudos.
E agora devolvem-se presentes de casamento. Ups, não... Não tenho nada para te devolver. Porque nunca me deste nada. A não ser que queiras que cuspa a saliva que aceitaste na casa do poeta. Cuspo-te na cara (já não ofereço nada com carinho).
Friday, January 27, 2012
Como planear uma nova relação, como escolher a dedo quem vais apaixonar hoje?
O título "Do You Want To" da banda britânica Franz Ferdinand não é, de todo, uma música romântica. É uma música para especialistas com acordes pelo meio.
Criar um ficheiro com toda a informação retida ate à data sobre essa sortuda. Brincar aos deuses? Sim. Pratiquei no The Sims.
Como as senhoras que tentam parecer naturalmente equilibradas o suficiente para saltos de nove centímetros, eu só quero ter tudo preparado antes do espectáculo começar. Não confio nem sequer em mim. Tenho de me preparar para o discurso manualmente. Ler o guião, seguir as coordenadas - assim não precisas de rezar. Acredita que vais ter direito ao meu melhor trabalho. (Se te dediquei tempo suficiente, das duas uma: ou sou mestre e sei reconhecer valor, ou sou aprendiz e és cobaia.)
O título "Do You Want To" da banda britânica Franz Ferdinand não é, de todo, uma música romântica. É uma música para especialistas com acordes pelo meio.
Criar um ficheiro com toda a informação retida ate à data sobre essa sortuda. Brincar aos deuses? Sim. Pratiquei no The Sims.
Como as senhoras que tentam parecer naturalmente equilibradas o suficiente para saltos de nove centímetros, eu só quero ter tudo preparado antes do espectáculo começar. Não confio nem sequer em mim. Tenho de me preparar para o discurso manualmente. Ler o guião, seguir as coordenadas - assim não precisas de rezar. Acredita que vais ter direito ao meu melhor trabalho. (Se te dediquei tempo suficiente, das duas uma: ou sou mestre e sei reconhecer valor, ou sou aprendiz e és cobaia.)
Adoro vê-las tentar equilibrarem-se nos calcanhares. Delicioso gozo. Gostava de ser aquela pedra da calçada.
Thursday, January 26, 2012
Uma parafernália de recibos enchem-me a bagagem.
Recibi o teu sorriso, recibo.
Recebi o teu amor, recibo.
Troquei-te por outra cor, recibo.
Comprei o meu rancor, recibo.
Recebi sentidos, recibo.
Recebi cuspidos, recibo.
Recebi sem saber, recibo.
Comprei um novo amigo, recibo.
Vendi a minha pele, recibo.
Troquei de pele contigo, recibo.
Recibi o teu sorriso, recibo.
Recebi o teu amor, recibo.
Troquei-te por outra cor, recibo.
Comprei o meu rancor, recibo.
Recebi sentidos, recibo.
Recebi cuspidos, recibo.
Recebi sem saber, recibo.
Comprei um novo amigo, recibo.
Vendi a minha pele, recibo.
Troquei de pele contigo, recibo.
Por entre nevoeiros ou chuvas de suor e saliva, encontras-me fora da prateleira. Não tenho permissão mas também não sei o caminho. Se me perder volto ao mesmo e tu não perdes nada (nunca me compraste).
Por entre nevoeiros ou chuvas de saliva surjo de madrugada. Acordo-te para o mal e para as cábulas de história.
Cartas sem resposta e carruagens sem cavalos. Um mar sem nevoeiro não é o mesmo que (...)
Olá, perdi-me da minha mãe e agora não sei onde estou. Podia ajudar-me? Não se preocupe, sou adoptada. Só desde que nasci! O meu pai veste-me à menino. Pinta-me tatuagens de gangues sul americanos. Diz-me que não há nada de errado na sexualidade prisional. Eu também me senti compelida a gostar do meu pai adoptivo e da minha mãe adoptiva, assim que comecei a crescer. Porque eram eles que me tratavam bem e era com eles que esbarrava todos os dias, ao sair da cama, da escola e do WC. Ainda sou pequenina, mas sei que vou fazer muitos amiguinhos em todos os locais por que vou passar e ficar, no mínimo, uns meses. Na escolinha já tenho amigos. No infantário gostam de mim. Quando for grande quero trabalhar num grande escritório com muitos coleguinhas para poder conversar sobre coisas triviais e sair ao fim-de-semana.
Por entre nevoeiros ou chuvas de saliva surjo de madrugada. Acordo-te para o mal e para as cábulas de história.
Cartas sem resposta e carruagens sem cavalos. Um mar sem nevoeiro não é o mesmo que (...)
Olá, perdi-me da minha mãe e agora não sei onde estou. Podia ajudar-me? Não se preocupe, sou adoptada. Só desde que nasci! O meu pai veste-me à menino. Pinta-me tatuagens de gangues sul americanos. Diz-me que não há nada de errado na sexualidade prisional. Eu também me senti compelida a gostar do meu pai adoptivo e da minha mãe adoptiva, assim que comecei a crescer. Porque eram eles que me tratavam bem e era com eles que esbarrava todos os dias, ao sair da cama, da escola e do WC. Ainda sou pequenina, mas sei que vou fazer muitos amiguinhos em todos os locais por que vou passar e ficar, no mínimo, uns meses. Na escolinha já tenho amigos. No infantário gostam de mim. Quando for grande quero trabalhar num grande escritório com muitos coleguinhas para poder conversar sobre coisas triviais e sair ao fim-de-semana.
O prazer que nos dá pegar em vegetais, com uma faca afiada, desfazê-los em peças geometricamente reconhecíveis, uma quadrícula no picar do alho ou uma elipse para as rodelas da cebola.
O prazer que nos dá cheirar a vegetais. As cores vibrantes, as texturas variadas. A pele morena de um vegetariano. O prazer que daria cortá-lo em pedaços, reter os sucos e arrancar peles.
Um vegetariano na zona dos vegetais nunca foi pornográfico. Uma salada de esfíncteres, cheiros e inundações intra-uterinas.
A flora intestinal na flora das leguminosas.
O prazer que nos dá cheirar a vegetais. As cores vibrantes, as texturas variadas. A pele morena de um vegetariano. O prazer que daria cortá-lo em pedaços, reter os sucos e arrancar peles.
Um vegetariano na zona dos vegetais nunca foi pornográfico. Uma salada de esfíncteres, cheiros e inundações intra-uterinas.
A flora intestinal na flora das leguminosas.
Este monstro não me leva para Norte. Este monstro não me leva para os livros. Este monstro não me leva para onde eu quero. (Este monstro não me quer.)
Este monstro não me leva para perto de ti. (Tu não tens monstros e nem tens tempo para mim.) Este monstro não tem tempo e eu tenho muito tempo, tempo para ti. Quero todo o tempo e todo o teu tempo. Não quero o monstro que não te quer a ti para mim.
Quero tempo e espaço (o meu tempo com o teu espaço). O nosso tempo vai ser no tempo que este monstro levará. Não chores tempos e espaços (eu juro que vou chorar monstros por mim).
Os espaços a mim e o tempo de ti nunca serão aqueles que nos levarão assim. Espero que gostes de mim.
Este monstro não me leva para perto de ti. (Tu não tens monstros e nem tens tempo para mim.) Este monstro não tem tempo e eu tenho muito tempo, tempo para ti. Quero todo o tempo e todo o teu tempo. Não quero o monstro que não te quer a ti para mim.
Quero tempo e espaço (o meu tempo com o teu espaço). O nosso tempo vai ser no tempo que este monstro levará. Não chores tempos e espaços (eu juro que vou chorar monstros por mim).
Os espaços a mim e o tempo de ti nunca serão aqueles que nos levarão assim. Espero que gostes de mim.
Em voz alta, de um lado está um a ler a bíblia e do outro está uma a ler a bula. Entre a religião e a ciência estou eu. O vosso pequeno santinho. O vosso grande einstein. O vosso extenso trabalho académico e o vosso inquantificável QI. O vosso gigante protocolo e as nossas maravilhosas relações públicas.
As nossas maravilhosas e carismáticas relações públicas. Gosto muito de ter relações públicas. A solução para as doenças públicas é ler a bula pública e rezar aos deuses públicos. Ou então, escrever um blogue.
A vossa decisão de contrário será pura e simplesmente considerada inconstitucional.
As políticas de uma amadora apologista do snuff.
As nossas maravilhosas e carismáticas relações públicas. Gosto muito de ter relações públicas. A solução para as doenças públicas é ler a bula pública e rezar aos deuses públicos. Ou então, escrever um blogue.
A vossa decisão de contrário será pura e simplesmente considerada inconstitucional.
As políticas de uma amadora apologista do snuff.
Cuspo mentiras e vomito celebrações
Não me convenço a nada nem digo que não
Mudo-te as ideias e sigo caminho
Racionalizo tudo até ao dedo mindinho
Até ao dedo mindinho e até à tua mão
Sigo clitórides terrestres ou orgasmos de lã
Sigo todos os trajectos menos aquele que compensa
A mim não me luzem as lusas ampulhetas
O que me luz são olhos, falta de alma e de ar
Não me contes as contas no mar que navegaste
Não te contarei os tumores que rumores contei
O que me salva são ressalvas molhadas e ao céu rezadas
Não me convenço a nada nem digo que não
Mudo-te as ideias e sigo caminho
Racionalizo tudo até ao dedo mindinho
Até ao dedo mindinho e até à tua mão
Sigo clitórides terrestres ou orgasmos de lã
Sigo todos os trajectos menos aquele que compensa
A mim não me luzem as lusas ampulhetas
O que me luz são olhos, falta de alma e de ar
Não me contes as contas no mar que navegaste
Não te contarei os tumores que rumores contei
O que me salva são ressalvas molhadas e ao céu rezadas
Wednesday, January 25, 2012
Reboca-me daqui para fora. Reboca-me e não me deixes cair. Não quero chamar a atenção de ninguém, só quero que me façam rir.
Bárbara ou não, a minha maneira é indústrial. Levam-me as ondas e secam-me os ventos. Nunca foi tão fácil dizer que sim, a ti.
(Também nunca foi tão fácil ser honesta.)
Fazes-me sentir como quando tinha treze anos e aquele senhor queria espreitar por baixo da minha saia. E, no pico da excitação, recordo com carinho o meu primeiro violador. Primavera de mil novecentos e noventa e seis, sala da terceira classe, lado sul da escola.
Bárbara ou não, a minha maneira é indústrial. Levam-me as ondas e secam-me os ventos. Nunca foi tão fácil dizer que sim, a ti.
(Também nunca foi tão fácil ser honesta.)
Fazes-me sentir como quando tinha treze anos e aquele senhor queria espreitar por baixo da minha saia. E, no pico da excitação, recordo com carinho o meu primeiro violador. Primavera de mil novecentos e noventa e seis, sala da terceira classe, lado sul da escola.
Tuesday, January 24, 2012
Pediste que avisasse: soem os alarmes. O conta dores começou a aquecer o mercúrio. Nunca nada foi tão certo como o amor que sinto por ti. Estas dores que temos são auto-infligidas. Os remédios, esses são sempre auto-administrados. O que seria de nós sem... nós mesmos?
Nunca mais vou ser o mesmo. Versão melhorada. Características X Y Z eliminadas e substituídas por A B C. Look actualizado, imagem refrescada, vocabulário incrementado. Em cada semestre sai um modelo novo. Nem toda a gente acompanha.
Acompanhar-te a evolução é como olhar ao espelho e imaginar as câmaras que atrás se escondem. É ouvir alguém a rir-se e imaginar por que estão a falar mal de ti. É corar quando te pedem licença para passar. É dizer que entendeste mas depois ficar meia hora a matutar, e a substituir mentalmente o ruído por palavras que façam sentido.
Nunca mais vou ser o mesmo. Versão melhorada. Características X Y Z eliminadas e substituídas por A B C. Look actualizado, imagem refrescada, vocabulário incrementado. Em cada semestre sai um modelo novo. Nem toda a gente acompanha.
Acompanhar-te a evolução é como olhar ao espelho e imaginar as câmaras que atrás se escondem. É ouvir alguém a rir-se e imaginar por que estão a falar mal de ti. É corar quando te pedem licença para passar. É dizer que entendeste mas depois ficar meia hora a matutar, e a substituir mentalmente o ruído por palavras que façam sentido.
Eu não quero ser cientista, astronauta, arqueóloga, geóloga, cabeleireira ou montanhista; quero chegar ao limiar, passar em todas as provas e depois dizer... Não me apetece.
Não me estragues as palavras. Um dois um dois. Em vez de frases dá-me fórmulas. Em vez de amor dá-me raiva. Não não não.
Não é isto é aquilo
Não sou isto mas tu és isso
Quero-te toda assim só para mim. Não me negues um por cento da fórmula iguala a nada do meu respiro.
O que eu quero e o que eu não sei vai doer mais do que tudo junto.
Tudo junto.
Tudo junto.
Tudo junto.
Tudo junto.
Eu e tu e ela, tudo junto. Eu e tu e os outros. Tudo junto. Estraguem-me com presentes.
Monday, January 23, 2012
Ainda me fazes roer as unhas.
Critérios
-Idade
-Localização
-Trabalhas/estudas
-Gosto musical
-Passatempos
-Disponibilidade para enviar fotos porcas
-Disponibilidade das fotos online
-Habilitações literárias
-Tipo de função no local de trabalho / OU / área do curso
-Número de ex's
Critérios
-Idade
-Localização
-Trabalhas/estudas
-Gosto musical
-Passatempos
-Disponibilidade para enviar fotos porcas
-Disponibilidade das fotos online
-Habilitações literárias
-Tipo de função no local de trabalho / OU / área do curso
-Número de ex's
-Número de vezes que me vais rebaixar
Sunday, January 22, 2012
Subi à minha casa-na-árvore para fazer uma sesta depois da matança. Sonhei com carne podre e plantas carnívoras. Não sei o que digeri ou vomitei. Tive um AVC; agora sou do lado esquerdo gorda e do lado magro, direita. Se em casa sou malandra, na rua sou cigana. Ao domingo, entre ir à igreja ou ir ao ginásio venha o diabo e escolha.
A música de lá serve para marcar ritmo. As músicas românticas só servem para engatar online. Se tiver razão mereço um ovo escalfado à escocesa. Senão, levo com o punho na peida. Estalam-se os dedos todos.
PS: Se me quiseres magoar a sério convida-me para jantar e serve-me tudo com cravinho. Não sei por que continuo a alucinar com cheiros. Ao menos as emoções desapareceram (finalmente).
Homem caçador ... homem caçadO
O que há de tão especial em ser caçado? Menos termos e condições. Não tens de assinar nada. Finges-te de morto para depois relaxares enquanto te servem o isco. Mas, curiosamente, e o que não nos falta é curiosidade, ainda achamos que há vantagens e desvantagens de ambos os lados. Lamento a perspectiva tão mecânica; não acredito em carma nem em pontos. Há que ser calculista em todos os aspectos da coisa. Não vou deixar que um alfinete me estrague a tarde.
A música de lá serve para marcar ritmo. As músicas românticas só servem para engatar online. Se tiver razão mereço um ovo escalfado à escocesa. Senão, levo com o punho na peida. Estalam-se os dedos todos.
PS: Se me quiseres magoar a sério convida-me para jantar e serve-me tudo com cravinho. Não sei por que continuo a alucinar com cheiros. Ao menos as emoções desapareceram (finalmente).
Homem caçador ... homem caçadO
Mulher caçadora ... mulher caçadA
O que há de tão especial em ser caçado? Menos termos e condições. Não tens de assinar nada. Finges-te de morto para depois relaxares enquanto te servem o isco. Mas, curiosamente, e o que não nos falta é curiosidade, ainda achamos que há vantagens e desvantagens de ambos os lados. Lamento a perspectiva tão mecânica; não acredito em carma nem em pontos. Há que ser calculista em todos os aspectos da coisa. Não vou deixar que um alfinete me estrague a tarde.
Tabela
Caçador.............................Presa
Vantagens -isto -aquilo
Desvantagens -isto -aquilo
Como neurótica viciada em rotinas e muito orgulhosa, estas tabelas são as minhas melhores amigas. Impulsividade para que te quero?
E só para deixar bem assente: estar aqui não quer dizer estar realmente aqui. Sou daltónica para tanta coisa. Caixões e poços no meu quintal.
1. E perceber a nacionalidade de alguém pelos seus glúteos é muito mais meritório que saber a tabuada do sete.
2. As pessoas solteiras são sempre muito populares.
3. As criancinhas deviam vestir-se do género oposto, pelo menos no Carnaval.
4. Como é que é possível ficares apaixonada pelo primeiro que te diz que és bonita/tens um rabo bom/os teus olhos são fascinantes? Elogiar algo para o qual não trabalhaste. Boa sorte com isso.
4.1 Eu não jogo para perder.
5. E ver-te nessa saia travada, nesses saltos de dez centímetros, ou nessa camisa de seda em pleno Inverno... Tenho pena que estejas tão desconfortável. PS: podes ser livre de operadora.
Olá, sou um humano livre de operador. Uso minissaia e lambo clítoris, não me penteio mas adoro broches, tenho preguiça para fazer a depilação mas estou na bairro logo à noite.
O que me define? Não é a cor da minha pele nem tãopouco o corte que dei no cabelo. Não é a quantidade de vezes que digo asneiras nem que cuspo para o chão. Não é o meu aparelho reprodutor (então se estiver naqueles dias ainda menos definição tem).
Sou um tapete voador. Deixem-me em paz.
Saturday, January 21, 2012
Friday, January 20, 2012
Sou franca: não quero saber como estás, quero saber que estás bem. Quero para mim essa verdade, agora (de preferência). Como tens medo do meu silêncio eu tambám tenho medo do branco no papel. (Só digo papel porque a palavra é bem mais bonita que ecrã.) Tenho de preencher tudo. Gosto muito de formulários e inquéritos. Porta a porta, como se chama o meu nome? Que idades são? Qual é a orientação sexual do nosso grupo? Gosto que me perguntem coisas. Gosto de criar verdades e universos paralelos. Gostas de mim?
Gostas de saber que fico com as cuecas molhadas quando pões a mão perto da minha? Gostas de saber que tenho um fetiche com pessoas casadas? Adoravas que eu não tivesse um fraco por ti e que me escondesse debaixo da tua secretária, ou dentro do teu cacifo ou no tupperware da tua comida. Adoravas que te fizesse a barba com as minhas próprias unhas - sabes que te ias arrepiar. Sou uma mulher grávida cheia de fome.
Sou um atalho entre o senhor dos dados que dá sempre uma hipótese a cada voz dentro da sua cabeça e o físico quântico que deixa acontecer tudo o que pode acontecer. Não filtramos nada.
Gostas de saber que fico com as cuecas molhadas quando pões a mão perto da minha? Gostas de saber que tenho um fetiche com pessoas casadas? Adoravas que eu não tivesse um fraco por ti e que me escondesse debaixo da tua secretária, ou dentro do teu cacifo ou no tupperware da tua comida. Adoravas que te fizesse a barba com as minhas próprias unhas - sabes que te ias arrepiar. Sou uma mulher grávida cheia de fome.
Sou um atalho entre o senhor dos dados que dá sempre uma hipótese a cada voz dentro da sua cabeça e o físico quântico que deixa acontecer tudo o que pode acontecer. Não filtramos nada.
O meu complexo de mártir não me vai deixar calar. Não desligues as colunas porque não vai valer a pena. Entranhaste-me assim que abriste a porta. E, apesar de tudo, os teus olhos ainda me fazem comichão na garganta.
O inferno está cheio de enxofre, dizem os desenhos animados na televisão. Os meus pulsos também. Diz-se que evita os cães de fazerem xixi em cima.
Olá, sou um monstro que em vez de dentes tem pilhas. Tuço sentimentos e emoções que esperas ver; que anseias por ver compreendidas e espelhadas. Tuço tudo o que quiseres.
E, depois, tudo o que me resta são monólogos com o meu próprio sangue, suor e lágrimas. Pego no coelho pelas orelhas. Aperto-o bem junto a mim.
O inferno está cheio de enxofre, dizem os desenhos animados na televisão. Os meus pulsos também. Diz-se que evita os cães de fazerem xixi em cima.
Olá, sou um monstro que em vez de dentes tem pilhas. Tuço sentimentos e emoções que esperas ver; que anseias por ver compreendidas e espelhadas. Tuço tudo o que quiseres.
E, depois, tudo o que me resta são monólogos com o meu próprio sangue, suor e lágrimas. Pego no coelho pelas orelhas. Aperto-o bem junto a mim.
Thursday, January 19, 2012
E a ironia de ter quasi-autistas a avaliar a empatia de terceiros. E a ironia brutal que é ter escrito isto há dois dias e hoje ter reparado na maior prova de que estou certa. Asperger olha para mim, sabe que estou a tirar-lhe o palco. Asperger quer muita atenção só que não diz nada. Deixa para os outros repararem.
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E a ironia de gastar mais dinheiro na farmácia do que na Sex Shop. Está tão errado. Preferia que fosse ao contrário. O dinheiro devia quantificar as horas de diversão. Como naquela distopia do Channel 4.
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E a ironia de gastar mais dinheiro na farmácia do que na Sex Shop. Está tão errado. Preferia que fosse ao contrário. O dinheiro devia quantificar as horas de diversão. Como naquela distopia do Channel 4.
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Para me esquecer das ironias penteio o cabelo com o sangue que me jorra do nariz ou do ânus - tanto faz. Sangue é vida - dizem as campanhas para dadores de sangue. Não passes por mim como se eu não existisse só porque preferias que isso fosse verdade. Cheira o meu sangue e saberás.
Deixa estar, eu saio do caminho e atravesso aquela porta para não ser desagradável. (Já me atravessaste o suficiente).
Agora devolve-me as jóias, o carro e os livros em segunda-mão que te emprestei. Devolve-me o tecto e os lençóis nos quais me dormiste. Devolve-me tudo. Isto não é um divórcio, é um funeral provisório mas antecipado.
És comboios que passam mas não param na minha estação, e és um depósito de gasolina com álcool etílico e uma cabeleira sem ter cancro. E és a dor à qual não me habituei e o prazer que auto-bloqueei. Ficas pálida comigo mas colorida com quem não teme. Assume a tua falta de escolha. Assume ou vais directamente para a prisão sem passar na casa-partida.
(Se assumires ainda te dou uma última jogada.)
E se quiseres volto-te contra a parede e faço aquilo que mais ninguém te fez. É só dizeres a palavra.
Para me esquecer das ironias penteio o cabelo com o sangue que me jorra do nariz ou do ânus - tanto faz. Sangue é vida - dizem as campanhas para dadores de sangue. Não passes por mim como se eu não existisse só porque preferias que isso fosse verdade. Cheira o meu sangue e saberás.
Deixa estar, eu saio do caminho e atravesso aquela porta para não ser desagradável. (Já me atravessaste o suficiente).
Agora devolve-me as jóias, o carro e os livros em segunda-mão que te emprestei. Devolve-me o tecto e os lençóis nos quais me dormiste. Devolve-me tudo. Isto não é um divórcio, é um funeral provisório mas antecipado.
És comboios que passam mas não param na minha estação, e és um depósito de gasolina com álcool etílico e uma cabeleira sem ter cancro. E és a dor à qual não me habituei e o prazer que auto-bloqueei. Ficas pálida comigo mas colorida com quem não teme. Assume a tua falta de escolha. Assume ou vais directamente para a prisão sem passar na casa-partida.
(Se assumires ainda te dou uma última jogada.)
E se quiseres volto-te contra a parede e faço aquilo que mais ninguém te fez. É só dizeres a palavra.
Wednesday, January 18, 2012
Tabula rasa, tabula rasa, tabula rasa
Dizia Zeus perto da fogueira lançando às chamas anestesias intravenosas enquanto comia caranguejos.
Porque, no fundo, não eram avaliações, eram sim testes preliminares. Testes diagnóstico. Não é uma questão de mérito, é genético. Não é algo que se aprende. Não é algo que se pratica. E, muito menos, é algo que se ensina. (Esquece.)
Hoje, por exemplo, vi um louva-a-deus no ginásio. Para cima e para baixo, ele louvava sem parar. Se louvava a Marte ou a Vénus, não sei. Sei que me provocou um dos sete pecados mortais num dos sete mares sagrados.
E é por isto que digo que sou um fantasma. Se já estou morto, nada me pode derrubar. No máximo posso ficar petrificado. Quem não acredita em basiliscos que se desengane. Eu sei a vossa verdade, e vocês também. No meu confessionário aceitam tudo. Se depois não pagam a promessa, mais uma vez, é da vossa escolha. Mas eu como fantasma, sou o vosso grande irmão: não me escapa nada. Atravesso paredes e ossos. A ciência também não vos vai salvar (quem sabe, sabotar).
Brinco o dia todo, brinco sem parar. À hora que me apetece ou à hora que calhar. Não quero ser citado nem repetido. (Eu posso citar-me e repetir-me; apesar de odiar o auto-elogio.) Brincar ajuda-me a passar o dia. Esta rua está abençoada ou quiçá amaldiçoada. Gostam sempre muito de mim nesta rua. Mudo-me amanhã.
Dizia Zeus perto da fogueira lançando às chamas anestesias intravenosas enquanto comia caranguejos.
Porque, no fundo, não eram avaliações, eram sim testes preliminares. Testes diagnóstico. Não é uma questão de mérito, é genético. Não é algo que se aprende. Não é algo que se pratica. E, muito menos, é algo que se ensina. (Esquece.)
Hoje, por exemplo, vi um louva-a-deus no ginásio. Para cima e para baixo, ele louvava sem parar. Se louvava a Marte ou a Vénus, não sei. Sei que me provocou um dos sete pecados mortais num dos sete mares sagrados.
E é por isto que digo que sou um fantasma. Se já estou morto, nada me pode derrubar. No máximo posso ficar petrificado. Quem não acredita em basiliscos que se desengane. Eu sei a vossa verdade, e vocês também. No meu confessionário aceitam tudo. Se depois não pagam a promessa, mais uma vez, é da vossa escolha. Mas eu como fantasma, sou o vosso grande irmão: não me escapa nada. Atravesso paredes e ossos. A ciência também não vos vai salvar (quem sabe, sabotar).
Brinco o dia todo, brinco sem parar. À hora que me apetece ou à hora que calhar. Não quero ser citado nem repetido. (Eu posso citar-me e repetir-me; apesar de odiar o auto-elogio.) Brincar ajuda-me a passar o dia. Esta rua está abençoada ou quiçá amaldiçoada. Gostam sempre muito de mim nesta rua. Mudo-me amanhã.
Tuesday, January 17, 2012
Auto-avaliação
Resumo do semestre
Teste de admissão: 18 reavaliado para 19 (erro no enunciado)
Trabalhos de casa: 12, 15, 9. - precisa de melhorias
Trabalhos de grupo semestral:
1) 19 - mas terminado individualmente.
2) 17 - mudança de tema a meio do projecto.
A desvantagem de estar consciente é ouvir todas as vozes à tua volta, quando só queres ter paz. É tão básico como o instinto animalesco de te juntares a uma festa e apalpares aquele rabo em calças apertadas ou inventar alcunhas para os ex-amantes do teu parceiro. Quem me dera uns ouvidos novos e menos compreensão para línguas dar-me-ia a complexa vantagem de, se calhar, não perceber o copo meio cheio. Não sei se sou de Marte ou de Vénus. Não sei se gosto mais de golfe ou de ténis. Os estereótipos vão estar sempre contra e a teu favor. É uma escolha tua.
Resumo do semestre
Teste de admissão: 18 reavaliado para 19 (erro no enunciado)
Trabalhos de casa: 12, 15, 9. - precisa de melhorias
Trabalhos de grupo semestral:
1) 19 - mas terminado individualmente.
2) 17 - mudança de tema a meio do projecto.
A desvantagem de estar consciente é ouvir todas as vozes à tua volta, quando só queres ter paz. É tão básico como o instinto animalesco de te juntares a uma festa e apalpares aquele rabo em calças apertadas ou inventar alcunhas para os ex-amantes do teu parceiro. Quem me dera uns ouvidos novos e menos compreensão para línguas dar-me-ia a complexa vantagem de, se calhar, não perceber o copo meio cheio. Não sei se sou de Marte ou de Vénus. Não sei se gosto mais de golfe ou de ténis. Os estereótipos vão estar sempre contra e a teu favor. É uma escolha tua.
Sunday, January 15, 2012
A Catarina é como ver um filme pornográfico repetido.
A Catarina é como comprar rosas sabendo que vão murchar muito depressa.
A Catarina é como o cheiro que fica na cama depois de duas horas de sexo.
A Catarina é como uma tatuagem mal feita.
A Catarina é como uma tatuagem encoberta.
A Catarina é como os gritos de um homem louco.
A Catarina é como todos os homens loucos que conheci.
A Catarina é como o desejo de nunca ter filhos.
A Catarina nunca poderia ter filhos e sorrir.
A Catarina só poderia ter filhos de relações sem consentimento.
A Catarina só poderia pintar o cabelo e cortá-lo todo a seguir.
A Catarina só poderia pegar fogo à casa enquanto fazia uma festa.
A Catarina nunca poria fogo à casa se estivesse sozinha.
A Catarina é como confetes a arder e purpurinas alérgicas.
A Catarina é como familiares incestuosos.
A Catarina é como comprar rosas sabendo que vão murchar muito depressa.
A Catarina é como o cheiro que fica na cama depois de duas horas de sexo.
A Catarina é como uma tatuagem mal feita.
A Catarina é como uma tatuagem encoberta.
A Catarina é como os gritos de um homem louco.
A Catarina é como todos os homens loucos que conheci.
A Catarina é como o desejo de nunca ter filhos.
A Catarina nunca poderia ter filhos e sorrir.
A Catarina só poderia ter filhos de relações sem consentimento.
A Catarina só poderia pintar o cabelo e cortá-lo todo a seguir.
A Catarina só poderia pegar fogo à casa enquanto fazia uma festa.
A Catarina nunca poria fogo à casa se estivesse sozinha.
A Catarina é como confetes a arder e purpurinas alérgicas.
A Catarina é como familiares incestuosos.
As meninas do YouTube excitam-me mais do que a Bonny Bon.
As meninas do YouTube são todas bonitas e querem todas ajudar-me.
Essas meninas são todas muito simpáticas e querem ser populares e querem ficar ainda mais bonitas.
Essas meninas fazem tudo para parecerem mais naturais. Eu hoje sinto-me natural, ainda não saí da cama.
As meninas do YouTube são todas bonitas e querem todas ajudar-me.
Essas meninas são todas muito simpáticas e querem ser populares e querem ficar ainda mais bonitas.
Essas meninas fazem tudo para parecerem mais naturais. Eu hoje sinto-me natural, ainda não saí da cama.
Ajoelha-te. Quero ver pele a rasgar. Quero que saias com alguém que aches mesmo muito interessante e depois me contes tudo, sentado à lareira, confortável no sofá que comprámos juntos no Ikea. Partilhamos um capuccino de cápsula extraído da máquina azul-bebé enquanto contamos rosas brancas tingidas a ácido.
Não compraste essa blusa para que te olhassem para as botas. Honestidade intelectual é muito mais sensual que qualquer perímetro de epiderme brilhante a purpurinas. Quero ver a ruiva contigo, daqui a uns anos do outro lado do oceano.
Não compraste essa blusa para que te olhassem para as botas. Honestidade intelectual é muito mais sensual que qualquer perímetro de epiderme brilhante a purpurinas. Quero ver a ruiva contigo, daqui a uns anos do outro lado do oceano.
O pessoal deve gostar muito de construir celas e trelas à volta do pescoço. É mais fácil forçar uma coisa do que construí-la. Contratos, contratos.
Não assines o contrato sem antes leres as letras pequeninas, dizem os advogados. Ainda acabas ajoelhada num beco escuro, com a chuva a cair incessante e a trovoada a assustar as criancinhas. Depois disso já nada te assusta. Há sempre vantagens. Agora vais poder fazer tudo. Não só vais poder como vais querer fazer tudo.
- Vens comigo ao cinema?
- Hoje é segunda-feira, tenho yoga.
- Não tenho mais ninguém com quem ir.
- Vai sozinho.
Não assines o contrato sem antes leres as letras pequeninas, dizem os advogados. Ainda acabas ajoelhada num beco escuro, com a chuva a cair incessante e a trovoada a assustar as criancinhas. Depois disso já nada te assusta. Há sempre vantagens. Agora vais poder fazer tudo. Não só vais poder como vais querer fazer tudo.
- Vens comigo ao cinema?
- Hoje é segunda-feira, tenho yoga.
- Não tenho mais ninguém com quem ir.
- Vai sozinho.
Saturday, January 14, 2012
Eu espelho.
Era uma vez um comerciante de espelhos que é retirado do seu sono pelos gritos de um rapaz em puro pânico que lhe batia à porta da loja/casa. O rapaz jurava a pés juntos estar a ser perseguido pela Morte. O comerciante não tem tempo a perder e engendra um plano para enganar a morte e assim poupar o rapaz. A Morte chega à loja/casa do comerciante e não consegue perceber o que se passa: em vez de encontrar um rapaz, encontra dez, todos num semicírculo.
Era também uma vez um feiticeiro muito poderoso cujo grande desejo era atingir a imortalidade. Ora, para se tornar imortal, decidiu separar a sua essência em sete partes. Guardou-as em sete locais distintos. Enfraqueceu-se, mas tornou possível o despiste da Morte.
Quero estar um bocadinho aqui, um bocadinho naquele espelho e outro bocadinho acolá. Quero dividir-me e multiplicar-me (já me dividi e já me multipliquei). Mais é mais.
(Quero, não muito secretamente, estar em mais do que um corpo).
P: Como é que vais morrer se não estás só aqui?
Era uma vez um comerciante de espelhos que é retirado do seu sono pelos gritos de um rapaz em puro pânico que lhe batia à porta da loja/casa. O rapaz jurava a pés juntos estar a ser perseguido pela Morte. O comerciante não tem tempo a perder e engendra um plano para enganar a morte e assim poupar o rapaz. A Morte chega à loja/casa do comerciante e não consegue perceber o que se passa: em vez de encontrar um rapaz, encontra dez, todos num semicírculo.
Era também uma vez um feiticeiro muito poderoso cujo grande desejo era atingir a imortalidade. Ora, para se tornar imortal, decidiu separar a sua essência em sete partes. Guardou-as em sete locais distintos. Enfraqueceu-se, mas tornou possível o despiste da Morte.
Quero estar um bocadinho aqui, um bocadinho naquele espelho e outro bocadinho acolá. Quero dividir-me e multiplicar-me (já me dividi e já me multipliquei). Mais é mais.
(Quero, não muito secretamente, estar em mais do que um corpo).
P: Como é que vais morrer se não estás só aqui?
R: Não morres. Só morres se eu espreitar e tiver essa imagem queimada na nuca. Quem decide então, pela morte?
Tipo espelho-de-mão, trago-te no bolso. A ti e à navalha. Estou a dar uma volta com a minha melhor amiga (tu). Não me julgues pelo conteúdo dos meus bolsos. Ponho os ovos onde eu quiser! A penicilina mantém-me consciente, onde quer que eu vá o espelho-de-mão e a seringa têm de vir comigo. Eu sem medicina não tenho voz. Prefiro que me arranquem as amígdalas com essas mãos que já foram minhas.
Encontrem-me as entranhas e escrevam-me nelas com giz branco.
Façam-me a tabuada no osso exposto. É assim, o blogue de uma hipocondríaca.
Tipo espelho-de-mão, trago-te no bolso. A ti e à navalha. Estou a dar uma volta com a minha melhor amiga (tu). Não me julgues pelo conteúdo dos meus bolsos. Ponho os ovos onde eu quiser! A penicilina mantém-me consciente, onde quer que eu vá o espelho-de-mão e a seringa têm de vir comigo. Eu sem medicina não tenho voz. Prefiro que me arranquem as amígdalas com essas mãos que já foram minhas.
Encontrem-me as entranhas e escrevam-me nelas com giz branco.
Façam-me a tabuada no osso exposto. É assim, o blogue de uma hipocondríaca.
A Gabriela devia ser violada.
A Gabriela devia ser violada de trás para a frente.
A Gabriela devia ser violada de dentro para fora.
A Gabriela devia ser posta do avesso.
A Gabriela devia ser posta num quarto escuro e rezar pelo pior.
A Gabriela não devia ter medo do escuro.
A Gabriela devia ser violada e rir-se muito.
A Gabriela devia ser violada enquanto champanhe lhe corria pelo pescoço e cabelos e assim já não tinha sede.
A Gabriela devia começar a gostar de álcool.
A Gabriela ia ficar fresquinha mas suada.
A Gabriela ia sentir-se útil como nunca se sentiu na vida.
A Gabriela devia ser violada de trás para a frente.
A Gabriela devia ser violada de dentro para fora.
A Gabriela devia ser posta do avesso.
A Gabriela devia ser posta num quarto escuro e rezar pelo pior.
A Gabriela não devia ter medo do escuro.
A Gabriela devia ser violada e rir-se muito.
A Gabriela devia ser violada enquanto champanhe lhe corria pelo pescoço e cabelos e assim já não tinha sede.
A Gabriela devia começar a gostar de álcool.
A Gabriela ia ficar fresquinha mas suada.
A Gabriela ia sentir-se útil como nunca se sentiu na vida.
Olá. Sou um fantasma. Passo pelas pessoas e elas não notam. Contudo, assustam-se quando me faço presente. Sou assim, meio transparente. Há dias em que me apetece chamar mais à atenção. Há dias em que me apetece assustá-las. Há dias até em que só quero estar no meu canto e atravessar paredes e planícies e voar e ir para todo o lado ao mesmo tempo. Tenho pena dos não-fantasmas. Eles não podem fazer isto. Não sou um tipo de criatura. Ninguém me mordeu para ser assim. E também não herdei esta funcionalidade de ninguém na minha família. Não é do mês em que cheguei a este mundo e nem sequer é algo que se aprende num livro ou na Internet.
Se acredito em fantasmas? Sim.
Se acredito em fantasmas? Sim.
Friday, January 13, 2012
Pára de me mostrar chocolates no ecrã. Já devias saber que eu nem sequer
sou gulosa. Não me tentes sabotar, eu não caio nessas armadilhas. Podes
pensar que sim (pensa o que quiseres, e o que pensares eu vou saber).
É assim tão errado brincar ao bang bang e fingir que te vou matar só para te manter sossegadinha e à minha beira? É assim tão errado seguir os meus instintos e apertar o gatilho? Não é nenhuma brincadeira. Eu sou sempre séria, eu não brinco. Tu achas que eu brinco para me defender, mas não sabes que isso é o som da bala a encaixar.
A bala dos teus lábios no rubro dos meus cabelos nunca teve um sabor tão amargo.
É assim tão errado brincar ao bang bang e fingir que te vou matar só para te manter sossegadinha e à minha beira? É assim tão errado seguir os meus instintos e apertar o gatilho? Não é nenhuma brincadeira. Eu sou sempre séria, eu não brinco. Tu achas que eu brinco para me defender, mas não sabes que isso é o som da bala a encaixar.
A bala dos teus lábios no rubro dos meus cabelos nunca teve um sabor tão amargo.
O mimo imita. O mimo observa. O mimo não serve.
O mestre não manda mas também não mata. O mestre finge que é mestre. O mestre brinca aos mestres. Terá sido demasiado alarme? Terão sido ordens superiores? Não se despede um peluche só porque fala demais! :(
Não me basta observar. Nunca serei mimo, nunca. Pelo menos sem querer. Aliás, às vezes sou só porque faz falta um mimo em determinada altura. Estalo os dedos e volto a mim.
Tu não estalas os dedos e voltas a ti. Às vezes voltas sem querer e isso pode estragar-te os planos todos. Sabes que estás aí dentro e não tens controlo NENHUM sobre isso. Chama-me control freak, mas eu gosto de manter a bicharada sob rédea curta.
O mestre não manda mas também não mata. O mestre finge que é mestre. O mestre brinca aos mestres. Terá sido demasiado alarme? Terão sido ordens superiores? Não se despede um peluche só porque fala demais! :(
Não me basta observar. Nunca serei mimo, nunca. Pelo menos sem querer. Aliás, às vezes sou só porque faz falta um mimo em determinada altura. Estalo os dedos e volto a mim.
Tu não estalas os dedos e voltas a ti. Às vezes voltas sem querer e isso pode estragar-te os planos todos. Sabes que estás aí dentro e não tens controlo NENHUM sobre isso. Chama-me control freak, mas eu gosto de manter a bicharada sob rédea curta.
Thursday, January 12, 2012
Dia 1
Já referimos que o nosso sistema circulatório está intacto?
Já referimos que não temos qualquer deficiência no sistema nervoso simpático, que as hormonas vão e vêm conforme adequado e também que o nosso lesbianismo é puramente cultural?
Pronto, só para confirmar. Não sabemos porquê, diga-nos senhora Doutora, porque é que não sabemos distinguir entre falta de ar e excitação? Acontece tudo ao mesmo tempo, sabe. Como é que vamos sentir dor se nos obrigam a imaginar prazer? Pare de forjar simpatia, pare de forjar tinta, pare de forjar ligação. Não há. Não temos em nós essa facilidade, esse cinzento escuro que tanto pode ser carne como peixe. Não temos.
Porque sentimos inveja de algo que ainda poderíamos ter? Não gostamos nada que nos contem o final. Não nos conte! Será que devíamos sentir-nos especiais por ter faltas de ar, batimentos cardíacos irregulares e dores fantasmas aliciantes? Não devemos ser os únicos no planeta - isso seria muito estranho. Muito estranho, de facto.
Dia 2
És transparente. Deixa-te de honestidades. Cava a carne um pouco mais fundo. Vais ver que encontras a sorte de que precisas. Pára de brincar com bonecas - eu posso ser o horóscopo que quiseres. Corta-me em duas, três ou quatro. Não te peço exclusividade. Não sou ciumenta. Posso ser atendedor de chamadas, orientadora, diva, borboleta, conselheira, animal, bruxa. As opções são infinitas. Se tu ao menos assumisses a minissaia... poupavas-me um armário novo.
Já referimos que o nosso sistema circulatório está intacto?
Já referimos que não temos qualquer deficiência no sistema nervoso simpático, que as hormonas vão e vêm conforme adequado e também que o nosso lesbianismo é puramente cultural?
Pronto, só para confirmar. Não sabemos porquê, diga-nos senhora Doutora, porque é que não sabemos distinguir entre falta de ar e excitação? Acontece tudo ao mesmo tempo, sabe. Como é que vamos sentir dor se nos obrigam a imaginar prazer? Pare de forjar simpatia, pare de forjar tinta, pare de forjar ligação. Não há. Não temos em nós essa facilidade, esse cinzento escuro que tanto pode ser carne como peixe. Não temos.
Porque sentimos inveja de algo que ainda poderíamos ter? Não gostamos nada que nos contem o final. Não nos conte! Será que devíamos sentir-nos especiais por ter faltas de ar, batimentos cardíacos irregulares e dores fantasmas aliciantes? Não devemos ser os únicos no planeta - isso seria muito estranho. Muito estranho, de facto.
Dia 2
És transparente. Deixa-te de honestidades. Cava a carne um pouco mais fundo. Vais ver que encontras a sorte de que precisas. Pára de brincar com bonecas - eu posso ser o horóscopo que quiseres. Corta-me em duas, três ou quatro. Não te peço exclusividade. Não sou ciumenta. Posso ser atendedor de chamadas, orientadora, diva, borboleta, conselheira, animal, bruxa. As opções são infinitas. Se tu ao menos assumisses a minissaia... poupavas-me um armário novo.
Já não tenho saudades tuas, tenho dor fantasma.
Já não tenho saudades tuas, tenho dor fantasma.
Já não tenho saudades tuas, tenho dor fantasma.
Já não tenho saudades tuas, tenho dor fantasma.
Já não tenho saudades tuas, tenho dor fantasma.
Já não tenho saudades tuas, tenho dor fantasma.
Já não tenho saudades tuas, tenho dor fantasma.
Já não tenho saudades tuas, tenho dor fantasma.
Já não tenho saudades tuas, tenho dor fantasma.
Já não tenho saudades tuas, tenho dor fantasma.
Já não tenho saudades tuas, tenho dor fantasma.
Já não tenho saudades tuas, tenho dor fantasma.
Já não tenho saudades tuas, tenho dor fantasma.
O meu prazer tem de ser prático (não no sentido oposto a teórico mas no oposto a complicado. E, por acaso, também gosto do teórico).
Quero praticidade. Não tenho tempo para rituais. Não tenho tempo para flores, velas e chocolates. Não tenho tempo nem paciência para etiquetas.
Quem me dera que as unhas parassem de crescer. Estes rituais só me tomam tempo em que podia estar a construir mil e uma coisas. Cortar unhas, curar aftas, tentar adormecer. Carregar num botão seria tão mais prático. Assim eu poderia seguir com a (minha) construção.
E sim, senti uma dor fantasma quando deixaste de estar. Já não tenho saudades, tenho dores fantasma.
Mas porque é que os microondas têm de estar limpos para aqueceres a tua comida? O desagrado visual não te afecta a comida. Praticidade.
Quero praticidade. Não tenho tempo para rituais. Não tenho tempo para flores, velas e chocolates. Não tenho tempo nem paciência para etiquetas.
Quem me dera que as unhas parassem de crescer. Estes rituais só me tomam tempo em que podia estar a construir mil e uma coisas. Cortar unhas, curar aftas, tentar adormecer. Carregar num botão seria tão mais prático. Assim eu poderia seguir com a (minha) construção.
E sim, senti uma dor fantasma quando deixaste de estar. Já não tenho saudades, tenho dores fantasma.
Mas porque é que os microondas têm de estar limpos para aqueceres a tua comida? O desagrado visual não te afecta a comida. Praticidade.
Wednesday, January 11, 2012
Eu gosto de pontualidade, o meu orgasmo não. Ele não tem capacidade de liderança nem tãopouco capacidades técnicas. Era interessante fazer um estudo de dinâmicas de grupo numa orgia com vários tipos de orgasmos. Os pontuais, os produtivos, os lideres que marcam uma intenção logo de início e conseguem manipular as outras intenções, e por aí fora.
Também seria interessante notar que tudo isto me surge num contexto transpirado de dopaminas, serotoninas massacradas e de feedback negativo do estrogéneo.
Deus dá nozes a quem não tem orgasmos. E espíritos a quem não tem bruxos. Mas nunca, nunca, dá almas a ninguém.
Dá sangue para lubrificar e suor para inspirar. Dá metáforas todos os dias e a toda a hora!
Também seria interessante notar que tudo isto me surge num contexto transpirado de dopaminas, serotoninas massacradas e de feedback negativo do estrogéneo.
Deus dá nozes a quem não tem orgasmos. E espíritos a quem não tem bruxos. Mas nunca, nunca, dá almas a ninguém.
Dá sangue para lubrificar e suor para inspirar. Dá metáforas todos os dias e a toda a hora!
Tuesday, January 10, 2012
Dizes-me de sobreaviso que me estás a dar o melhor. Fico alerta e nunca caio na armadilha. Vão-se fazendo coisas offline com o mesmo cinismo e a mesma falta de sentido. Tenho o cabelo no ar, tenho medo de sair à rua e não me foi diagnosticada nenhuma doença terminal. Achas que sim porque não te dou razões para o que faço e deixo de fazer (deixo para ti o diagnóstico).
Em caso de ingerir malignas, leia a Bíblia. Há quem diga que possui respostas para tudo. Dupla penetração de ideias só para te confundir. Antigo e Novo testamento. Se eu pudesse andar para trás no tempo, mudava tudo. E depois andava outra vez para trás e mudava tudo para uma terceira experiência. E depois outra. E depois outra. Isto não tem tempo suficiente para sermos tudo o que gostaríamos de ser. Por isso é que andamos para aqui «eternamente» a tentar perceber o significado disto tudo. Vamos ao médico, lemos o horóscopo, vemos o boletim meteorológico e escrevemos sobre assuntos que nos fascinam, para tentarmos perceber melhor. Aprendemos a técnica só para depois questionarmos um pouco mais. E inventamos ficheiros e produtos e verdades novas todos os dias.
Faço-te um update todos os dias. E todos os dias deixamos de ser os mesmos carneiros e os mesmos animais. Às vezes também sou carneiro, apesar de cada vez menos. Vejo menos séries televisivas americanas e mais aulas sobre neurociência.
Se eu andasse para trás no tempo, matava os meus progenitores.
[Dou-te as perguntas e as respostas só para ver se fazes batota. Adoro monopolizar.]
Para além disso, temos sempre o paradoxo lesbiano da não-masturbação e da não-inserção de dedos para a gentil colocação de tampões higiénicos na vagina. Depois temos também o paradoxo de cozinhar seitan mas deixar o namorado caçar além-mar ou até a não-aceitação de amor-de-graça mas forjar afecto e atracção numa cela nocturna.
Nunca nada foi tão falso. Eu disse-te. Não quiseste acreditar, só porque não foste a primeira a ver. Toma lá a taça, ganhaste-me.
Em caso de ingerir malignas, leia a Bíblia. Há quem diga que possui respostas para tudo. Dupla penetração de ideias só para te confundir. Antigo e Novo testamento. Se eu pudesse andar para trás no tempo, mudava tudo. E depois andava outra vez para trás e mudava tudo para uma terceira experiência. E depois outra. E depois outra. Isto não tem tempo suficiente para sermos tudo o que gostaríamos de ser. Por isso é que andamos para aqui «eternamente» a tentar perceber o significado disto tudo. Vamos ao médico, lemos o horóscopo, vemos o boletim meteorológico e escrevemos sobre assuntos que nos fascinam, para tentarmos perceber melhor. Aprendemos a técnica só para depois questionarmos um pouco mais. E inventamos ficheiros e produtos e verdades novas todos os dias.
Faço-te um update todos os dias. E todos os dias deixamos de ser os mesmos carneiros e os mesmos animais. Às vezes também sou carneiro, apesar de cada vez menos. Vejo menos séries televisivas americanas e mais aulas sobre neurociência.
Se eu andasse para trás no tempo, matava os meus progenitores.
[Dou-te as perguntas e as respostas só para ver se fazes batota. Adoro monopolizar.]
Para além disso, temos sempre o paradoxo lesbiano da não-masturbação e da não-inserção de dedos para a gentil colocação de tampões higiénicos na vagina. Depois temos também o paradoxo de cozinhar seitan mas deixar o namorado caçar além-mar ou até a não-aceitação de amor-de-graça mas forjar afecto e atracção numa cela nocturna.
Nunca nada foi tão falso. Eu disse-te. Não quiseste acreditar, só porque não foste a primeira a ver. Toma lá a taça, ganhaste-me.
Falta-me subtileza. Que nervos que me dá ver televisão. E que nervos que me dá a televisão demorar quase dois minutos para mudar o canal.
Não, agora a sério: quanto mais depressa começar a ver a vida a partir de um glory hole, mais depressa me despacho daqui.
Vê-se mesmo que não tens experiência com o caos.
A adesão a regras facilita imenso. Não me importam feriados ou fins-de-semana, não me importam horas depois do telejornal. Tudo é contornável e trocável. Toda a gente tem uma moeda de troca, e eu passo o dia no mercado de câmbios. Não sou de me queixar: adaptável ao tempo e convertível instantaneamente. Sei adaptar-me às regras que me interessam. Uso e brinco com elas conforme me apetece.
e t u n e m n o t a s
Eu sei que pareço aquela que um dia vai aparecer aqui com uma shotgun e matar-vos a todos. Mas isso são só as regras deste jogo. Em casa a história é outra.
(Guarda o jogo antes de saíres de casa e não te queixes tanto.)
Quer dizer, não é que me falte um ventrículo, ou que as veias estejam entupidas, ou que Wernicke não esteja a ser devidamente bombardeado com sangue. É apenas outro sistema operativo.
Monday, January 9, 2012
Sem ti vou ficar em pedaços sem encaixe possível. Um puzzle sem solução e uma conta sem resultado. Podíamos ser felizes do outro lado do espelho, mas não me quiseste beber. Por isso rio sem fim e apago depressa. Nas minhas margens serás tinta permanente e nunca, nunca, vou rememorar. Não tenho logs, lembra-te disso.
Tira-me dos escombros e salva-me o fôlego. Limpa-me as feridas e sufoca-me só mais um pouco (quero sufocar). Não quero ambulâncias nem chamadas de emergência. Não quero encontros furtivos nem pré-agendas. Quero que me tires o metal da carne e o cheiro a queimado. Quero que me tires o sempre e o desde sempre. (Tira-me o meu melhor e o meu pior.)
Tenta ser melhor que o melhor do teu desde sempre (podes ser tanto mais). Vou ser tinta permanente, sim, conforta-me o teu para sempre. Excepto que tu mentes e eu minto também.
Tira-me dos escombros e salva-me o fôlego. Limpa-me as feridas e sufoca-me só mais um pouco (quero sufocar). Não quero ambulâncias nem chamadas de emergência. Não quero encontros furtivos nem pré-agendas. Quero que me tires o metal da carne e o cheiro a queimado. Quero que me tires o sempre e o desde sempre. (Tira-me o meu melhor e o meu pior.)
Tenta ser melhor que o melhor do teu desde sempre (podes ser tanto mais). Vou ser tinta permanente, sim, conforta-me o teu para sempre. Excepto que tu mentes e eu minto também.
Sunday, January 8, 2012
Sou técnica, étnica, órgânica, holística e mecânica.
Carrega-me a bateria, não me deixes esgotar. Sou constante nas prateleiras mais limpinhas. Trago acessórios e brinquedos vários.
Põe-me na montra e não te arrependas. Sou boa demais para estar escondida. Não limpes o pó nem recolhas detritos. Vai até ao fundo e penteia-me sempre.
Não digas que não, nem digas que sim. Deixa-me gritar, sorrir e suar. Trocamos liquídos, plástico e correntes. Em vários versos, sou multi e serena. Quando me vês posso estar em mais do que um sítio ao mesmo tempo. Decide-te e espreita pela fechadura. O pior que pode acontecer é Hilbert não concordar connosco.
Carrega-me a bateria, não me deixes esgotar. Sou constante nas prateleiras mais limpinhas. Trago acessórios e brinquedos vários.
Põe-me na montra e não te arrependas. Sou boa demais para estar escondida. Não limpes o pó nem recolhas detritos. Vai até ao fundo e penteia-me sempre.
Não digas que não, nem digas que sim. Deixa-me gritar, sorrir e suar. Trocamos liquídos, plástico e correntes. Em vários versos, sou multi e serena. Quando me vês posso estar em mais do que um sítio ao mesmo tempo. Decide-te e espreita pela fechadura. O pior que pode acontecer é Hilbert não concordar connosco.
Hoje bati com o carro. Não tinha lá a minha irmã mais velha para me segurar a mãozinha e preencher a declaração amigável comigo. Quem me manda não parar em sinais de STOP especialmente em cruzamentos com pouca visibilidade? A minha irmã arranjava forma de dizer que eu era inocente. Eu sei que eu também arranjava forma de dizer que estava inocente. Mas como estava sozinha não precisava de armar o teatro. Culpada. Mandem a conta, alguém há-de pagar. Só me queria despachar porque tinha a orgia à espera.
Orgia a um domingo? Há demasiadas músicas sobre domingos.
Enquanto preenchia os papéis pensava nos nomes das pessoas que com quem vou trocar mais do que números de apólice. Penso no incómodo que é não ter declarações amigáveis no carro e nem sequer uma caneta. Paralelo com a orgia seria não haver preservativos, lubrificante, velinhas acesas numa escuridão forçada de estores descidos e apagões.
Até a merda de um acidente me inspira. Entre mim e o sinal STOP é só um quasi-orgasmo.
Orgia a um domingo? Há demasiadas músicas sobre domingos.
Enquanto preenchia os papéis pensava nos nomes das pessoas que com quem vou trocar mais do que números de apólice. Penso no incómodo que é não ter declarações amigáveis no carro e nem sequer uma caneta. Paralelo com a orgia seria não haver preservativos, lubrificante, velinhas acesas numa escuridão forçada de estores descidos e apagões.
Até a merda de um acidente me inspira. Entre mim e o sinal STOP é só um quasi-orgasmo.
Saturday, January 7, 2012
Eu só tenho a certeza do que se está a passar porque olho directamente para a luz. E, mesmo assim, duvido sempre. Porque eu sei, e tu sabes, e o universo sabe, que há sempre uma lente gravitacional em acção que nos vai distorcer tudo. O sabor desta mousse de manga, a tua memória de merda e as imagens que colocas no teu site. No teu cantinho. Aquele que, supostamente, mais ninguém conhece.
Não são quarenta e dois músculos que me vão dizer o que estou a sentir. Não, não. Até porque em cada espelho sou uma diferente. Nunca saio sem tomar um duche e ver-me ao espelho. Deixo um pedaço de mim em cada canto. Não marco território, livro-me de fenótipos e arranjo outros lá fora.
Gosto de espalhar coisas minhas por todo o lado. Roupa, ar, ADN, o meu bom gosto e recriar o teu mau gosto. Trios de sarilhos irrequietos.
Só mais uma vez. Liga-me só mais uma vez à corrente. Por favor, só mais uma vez faz-me sentir bonita e relevante. Eu sei que não sou, mas quero sentir essa electricidade viciante. Concentra-te em mim e deixa os outros em segundo plano. Eu sei que nunca vais ter um fantoche favorito. Mas essa electricidade provoca tantas invejas quanto gotinhas de prazer. (Não vais fechar a torneira nunca.)
Conselho: pede o teu peluche em casamento.
É tão impossível sentir empatia como de tu aprenderes japonês a um nível nativo, nesta geração ainda.
Sou tabula rasa, não preciso de estandartes ou clichés. Sou aquilo que quiser ser. Sem moral, sem personalidade, sem caprichos ou intenções, nem capacidades nem orgulhos. Sou tabula rasa.
A minha única ambição é a neuroplasticidade.
Não são quarenta e dois músculos que me vão dizer o que estou a sentir. Não, não. Até porque em cada espelho sou uma diferente. Nunca saio sem tomar um duche e ver-me ao espelho. Deixo um pedaço de mim em cada canto. Não marco território, livro-me de fenótipos e arranjo outros lá fora.
Gosto de espalhar coisas minhas por todo o lado. Roupa, ar, ADN, o meu bom gosto e recriar o teu mau gosto. Trios de sarilhos irrequietos.
Só mais uma vez. Liga-me só mais uma vez à corrente. Por favor, só mais uma vez faz-me sentir bonita e relevante. Eu sei que não sou, mas quero sentir essa electricidade viciante. Concentra-te em mim e deixa os outros em segundo plano. Eu sei que nunca vais ter um fantoche favorito. Mas essa electricidade provoca tantas invejas quanto gotinhas de prazer. (Não vais fechar a torneira nunca.)
Conselho: pede o teu peluche em casamento.
É tão impossível sentir empatia como de tu aprenderes japonês a um nível nativo, nesta geração ainda.
Sou tabula rasa, não preciso de estandartes ou clichés. Sou aquilo que quiser ser. Sem moral, sem personalidade, sem caprichos ou intenções, nem capacidades nem orgulhos. Sou tabula rasa.
A minha única ambição é a neuroplasticidade.
Esta dicotomia insolúvel vai estar sempre presente, como uma cicatriz de acidentes passados. O acidente de acabar um capítulo e começar outro - sempre vi uma quebra no ritmo como um acidente. E toda a gente sabe que os acidentes deixam marcas. Marca-me e desmarca-me como o teu marcador favorito faz no livro que tens de ler para a escola. Negros são os rios de tinta que derramas das veias directamente para o papel. O papel que tens de desempenhar hoje mas não te apetece. Apetece-te comer aquele gajo daquele café que te olha todos os dias com os mesmos olhos de quem não leu o capítulo anterior mas está a tentar fingir que sim. E tu, que vês tudo a quilómetros, não vês pormenores mas também não fodes.
Escolhas.
Recebemos mais estímulos agora do que durante toda a nossa vida. Por isso não somos um. Somos muitos. Cada estímulo, cada reacção. Já não vamos só aos pormenores, ficamos por cima da mesa de chá a ver os acontecimentos rolarem na câmara. Reagimos exactamente como queremos reagir, tal não é a apatia. Escolhemos isto porque é o que nos apetece no momento.
Quero confundir-te, pôr-te uma venda, rodar-te em círculos, mandar-te para o meio da auto-estrada. Depois sigo caminho, espero que te arrependas e, rastejando, acredites em mim. Sou a tua santa para hoje, tem fé.
Quero que duvides sempre de tudo, duvida de ti. Não há verdades absolutas. Nem na ciência. (Eles duvidam sempre.)
Não te enganes. As cábulas e as manchas de sol no tecto também te dizem para paráres de as usar, abusar delas e, especialmente, parares de consumir raios de sol, trovões e nuvens carregadas de afecto.
Nunca mais vou consumir fora de prazo. Aprendi a lição.
Escolhas.
Recebemos mais estímulos agora do que durante toda a nossa vida. Por isso não somos um. Somos muitos. Cada estímulo, cada reacção. Já não vamos só aos pormenores, ficamos por cima da mesa de chá a ver os acontecimentos rolarem na câmara. Reagimos exactamente como queremos reagir, tal não é a apatia. Escolhemos isto porque é o que nos apetece no momento.
Quero confundir-te, pôr-te uma venda, rodar-te em círculos, mandar-te para o meio da auto-estrada. Depois sigo caminho, espero que te arrependas e, rastejando, acredites em mim. Sou a tua santa para hoje, tem fé.
Quero que duvides sempre de tudo, duvida de ti. Não há verdades absolutas. Nem na ciência. (Eles duvidam sempre.)
Não te enganes. As cábulas e as manchas de sol no tecto também te dizem para paráres de as usar, abusar delas e, especialmente, parares de consumir raios de sol, trovões e nuvens carregadas de afecto.
Nunca mais vou consumir fora de prazo. Aprendi a lição.
Friday, January 6, 2012
A tua filosofia e a minha afasia nunca vão ter uma conversa com introdução, desenvolvimento e conclusão. Vamos fingir eternamente, no teatro dos pobres e dos ricos. Vamos linkar piadas e partilhar eventos num esforço colectivo de dar aos paizinhos e às mãezinhas aquilo que achamos que merecem. E nós, o que fazemos aqui? O que fazemos em terra de ninguém? Somos sem-terra e orgulhamo-nos. Podíamos ter ido para os subúrbios da mente, uma casa com piscina. Se não tivesses sido tu a dar as coordenadas, ainda estava no meio do Tejo.
Gostava de te dar amarras, de te levar a passear e de ter amoras silvestres nos teus lábios. Ficam-te tão bem, esses lábios. Nunca os tires. E eu sei que te vão sugerir, e voltar a sugerir. Não caias na hipnose. Temos tanto para cheirar ainda, amiga.
Gostava de te dar amarras, de te levar a passear e de ter amoras silvestres nos teus lábios. Ficam-te tão bem, esses lábios. Nunca os tires. E eu sei que te vão sugerir, e voltar a sugerir. Não caias na hipnose. Temos tanto para cheirar ainda, amiga.
isto também é um blogue de receitas
ingredientes
-óleo
- cebola às rodelas ou coisa do género
- carne de vaca aos cubos pequenos
- alho em pó
- polpa de tomate
- polpa de maracujá
- pimenta rosa moída
- mistura estranha de especiarias
- arroz
preparação
Num wok alourar a cebola em óleo, polvilhar com o alho em pó e as especiarias, depois colocar ambas as polpas e a carne. Deixar cozinhar até a carne já não ter aspecto de estar crua.
À parte, cozer um pouco de arroz branco sem sal nem nada. Quando estiver pronto é retirar a água, se ainda tiver, e colocar no wok onde fizemos a carne. misturar tudo e servir.
ingredientes
-óleo
- cebola às rodelas ou coisa do género
- carne de vaca aos cubos pequenos
- alho em pó
- polpa de tomate
- polpa de maracujá
- pimenta rosa moída
- mistura estranha de especiarias
- arroz
preparação
Num wok alourar a cebola em óleo, polvilhar com o alho em pó e as especiarias, depois colocar ambas as polpas e a carne. Deixar cozinhar até a carne já não ter aspecto de estar crua.
À parte, cozer um pouco de arroz branco sem sal nem nada. Quando estiver pronto é retirar a água, se ainda tiver, e colocar no wok onde fizemos a carne. misturar tudo e servir.
Thursday, January 5, 2012
Se ao menos conseguisses instalar uma aplicação de shuffle no quotidiano, eras um humano feliz.
365 animais distintos. Desafiado?
No meu emprego não há protocolo de gangue. Tentei implementar um, mas não fui bem sucedido. Só me confundem com esses sotaques. Parem de me falar ao ouvido. Dúvidas fazem cócegas. Certezas fazem comichão.
Só leio os cabeçalhos porque consigo adivinhar o resto. Basta olhar para a tua carapaça de forma a imaginar o que estás a pensar e sentir. Às vezes não percebo mas também não me importa muito porque preencho o que falta e arquivo logo a seguir. Tipo impressos do IRS.
As palavras têm o valor que o câmbio indicar para hoje. Stress mais cansaço mais má companhia menos dinheiro mais ou menos acções multiplicado pelas horas em que vou ter de ser humano hoje a dividir pelo tempo que vou ter para mim. A fórmula nem sequer é sempre a mesma. Vario conforme. E também não sou muito conformista. A consistência é sobre-valorizada, para o caso de não teres recebido a newsletter. (Tranco as portas do carro e nunca - nunca - fecho os olhos.)
Neles tenho pó mas ainda te distingo à luz das velas: pobre, pobre menina que tem de usar massa cinzenta para se validar como pessoa. Assume a tua minissaia, não segures o tecido junto à bunda quando sobes escadas.
Tu tens a massa, eu tenho a aceleração. Não se pode ter tudo, como diz a agradável sabedoria popular. Sempre a confortar-nos na nossa desgraça! É bom ter uma FAQ para a vida, nao é, colega? É confortável e simpático. Ter uma vida 'simpática' num apartamento 'simpático' dos subúrbios. Ser considerada 'simpática' por um novo desconhecido. Ter a 'simpática' sensação de que somos todos incestuosos na fila do Pingo Doce.
Olho para um lado e alucino. Olho para o outro e faço um filme. Mais do que três lados é sempre muita fruta. Estimulas-me os sentidos como a TV digital , mas a preto e branco.
Gosto muito de imitar humanos. Alivia-me a portagem.
365 animais distintos. Desafiado?
No meu emprego não há protocolo de gangue. Tentei implementar um, mas não fui bem sucedido. Só me confundem com esses sotaques. Parem de me falar ao ouvido. Dúvidas fazem cócegas. Certezas fazem comichão.
Só leio os cabeçalhos porque consigo adivinhar o resto. Basta olhar para a tua carapaça de forma a imaginar o que estás a pensar e sentir. Às vezes não percebo mas também não me importa muito porque preencho o que falta e arquivo logo a seguir. Tipo impressos do IRS.
As palavras têm o valor que o câmbio indicar para hoje. Stress mais cansaço mais má companhia menos dinheiro mais ou menos acções multiplicado pelas horas em que vou ter de ser humano hoje a dividir pelo tempo que vou ter para mim. A fórmula nem sequer é sempre a mesma. Vario conforme. E também não sou muito conformista. A consistência é sobre-valorizada, para o caso de não teres recebido a newsletter. (Tranco as portas do carro e nunca - nunca - fecho os olhos.)
Neles tenho pó mas ainda te distingo à luz das velas: pobre, pobre menina que tem de usar massa cinzenta para se validar como pessoa. Assume a tua minissaia, não segures o tecido junto à bunda quando sobes escadas.
Tu tens a massa, eu tenho a aceleração. Não se pode ter tudo, como diz a agradável sabedoria popular. Sempre a confortar-nos na nossa desgraça! É bom ter uma FAQ para a vida, nao é, colega? É confortável e simpático. Ter uma vida 'simpática' num apartamento 'simpático' dos subúrbios. Ser considerada 'simpática' por um novo desconhecido. Ter a 'simpática' sensação de que somos todos incestuosos na fila do Pingo Doce.
Olho para um lado e alucino. Olho para o outro e faço um filme. Mais do que três lados é sempre muita fruta. Estimulas-me os sentidos como a TV digital , mas a preto e branco.
Gosto muito de imitar humanos. Alivia-me a portagem.
Uso diferentes sotaques para diferentes partes do globo. Deixa os clientes felizes.
Tu distingues conas. Eu distingo vozes. Tens a planta eu tenho o TPC feito.
Reza-me todas as dores e esperanças que possas todavia guardar. Não sou nenhuma santa mas estou no altar. Fui lá parar inadvertidamente. Subi escadas que não sabia a que horas funcionavam. Liguei o alarme mas só caí e caí e voltei a cair. Todas as dimensões possíveis vão dar ao pequeno carro para dois (sem contar com a bagageira e o porta-luvas, isso é outra história.)
Não sou portátil nem estou numa cloud, não te enganes quando digo que tenho asas. Tatuado na pele levo o nome da minha banda de rock favorita. Esperavas o código genético do Steve Jobs? Sou croma mas do sub-tipo fixe. O que quer que isso signifique neste dia da semana, não é?
Sim, muito narcisista. Vê lá se aprendes uns truques novos. Ouvir Depeche Mode não te vai inspirar, idiota. Vai beber sangue da torneira e contrair um ou dois virus. Pode ser que recuperes a perspectiva e recicles a criatividade. Redbull e café para não adormeceres ou pelo menos duas bebidas alcoólicas distintas para não te aborreceres (não entope o nariz!) Sorri com o sorriso das Amoreiras ou o de Benfica. O «não» é toujours garantido. A partir daí podes brincar no baloiço ou no escorrega que não faz diferença. Areias movediças? Eu rio-me face ao perigo!
Se só tens jeito para finais então não comeces nada, sequer. Por mais fantástico que o sexo seja depois de acabarem... Não te dá lugar na tese final. Não, não. Envia antes um CV com carta de recomendação e um par de culotes sujos. Não te vais arrepender.
Bêbeda de curiosidade, só descanso quando escrevo tudo aquilo a que tenho direito. Na minha cabeça já nada dura muito tempo. Nem dor (nunca durou) nem sequer prazer. Nem perguntas nem respostas e nem sequer estas palavras. Alzheimer auto-infligida? Porque não? Nos tempos que correm somos todos masoquistas.
É quase nulo o prazer que retiro de situações sociais. Não tirei do resto da humanidade para dar aos meus "melhores amigos". São apenas os que eu melhor suporto.
Avó, eu quero namorar toda a gente. Achas má ideia? Diz-me se achas. Diz-me se achas que o meu pequeno coração não tem amor suficiente para dar a todo o mundo. Diz-me. Diz-me algo. Eu não gosto de ninguém mas quero toda a gente dentro do meu pequeno órgão.
Prefiro deixar andar, como boa portuguesa que sou. Prefiro deixar a história correr à minha frente. Isto tudo apesar de ser obsessivo-compulsiva e ter a mania do controlo. Há vantagens no espectador (muitas).
De qualquer forma, aqui fica a sugestão: [juro que não vou linkar um video «funny»para o YouTube/site de maquilhagem/Facebook de uma banda amiga,etc]
Alugam-se entranhas. Prazer, genes ou drogas :)
Wednesday, January 4, 2012
Como não confio em ninguém, ponho creme repelente na cona. Sou a menina
mais bonita do bairro. Uso saia rodada e blusa às bolinhas. O batom
vermelho, guardo-o para as festas de swingers. Dizem que cheiro a maracujá
mas só eu sei o segredo: cheiro a esperma e cheiro bem.
A minha cona nunca fica em coma, e se ficar, melhor para mim. Sensação de existência minimizada. As particulas de luz não se atraem ou repelem. Deambulam.
Para me preparar para as dinâmicas de grupo, faço um ménage. Para despertar o relógio biológico, apaixono-me. Para arranjar emprego, colo com cuspo uma foto no CV. Para ganhar um concurso, durmo com o organizador. Para esquecer um falhanço, fodo anonimamente. Para ter paz de espírito, arranjo uma amante. Para me impressionar, comes fora.
Para justificar a minha genética: não olho para rabos ruivos.
E isto não são bocas, e isto não é um perfil, e isto não são dicas. E isto não é uma FAQ e isto não é o que penso que possa ser. Isto é aquilo que não tens e não tenho e não sou e não somos. É a capa de um livro conservador e a contra-capa da tua cabeça sem brancos.
Não estão a facilitar nada, nem a complicar nada, nem a dissecar nada. Não me chateiem! Felizmente ainda têm o meu falso QI e ainda sabem ver quem é bom e mau actor. Sabem algumas coisas, não muitas. Querem saber mais ("tudo").
Não quero sofrer de daltonismo e nem de analfabetismo. As línguas todas que eu sei ainda me vão dar luz e o teu suor ainda me vai matar a sede. As línguas que nós três sabemos ainda nos vão dar frutos.
No Uganda, actualmente, sofrem muito do Nodding Syndrome. Mas eu cá, acho que já se propagou, secretamente, tipo epidemia. Sim, sim.
A minha cona nunca fica em coma, e se ficar, melhor para mim. Sensação de existência minimizada. As particulas de luz não se atraem ou repelem. Deambulam.
Para me preparar para as dinâmicas de grupo, faço um ménage. Para despertar o relógio biológico, apaixono-me. Para arranjar emprego, colo com cuspo uma foto no CV. Para ganhar um concurso, durmo com o organizador. Para esquecer um falhanço, fodo anonimamente. Para ter paz de espírito, arranjo uma amante. Para me impressionar, comes fora.
Para justificar a minha genética: não olho para rabos ruivos.
E isto não são bocas, e isto não é um perfil, e isto não são dicas. E isto não é uma FAQ e isto não é o que penso que possa ser. Isto é aquilo que não tens e não tenho e não sou e não somos. É a capa de um livro conservador e a contra-capa da tua cabeça sem brancos.
Não estão a facilitar nada, nem a complicar nada, nem a dissecar nada. Não me chateiem! Felizmente ainda têm o meu falso QI e ainda sabem ver quem é bom e mau actor. Sabem algumas coisas, não muitas. Querem saber mais ("tudo").
Não quero sofrer de daltonismo e nem de analfabetismo. As línguas todas que eu sei ainda me vão dar luz e o teu suor ainda me vai matar a sede. As línguas que nós três sabemos ainda nos vão dar frutos.
No Uganda, actualmente, sofrem muito do Nodding Syndrome. Mas eu cá, acho que já se propagou, secretamente, tipo epidemia. Sim, sim.
Tuesday, January 3, 2012
- drogas faz o sexo melhor
- álcool faz o sexo melhor
- qualquer merda faz o sexo melhor
- sexo faz o sexo melhor
pessoa mais pessoa mais pessoa igual a qualquer coisa melhor que filmes de terror
pessoa mais cérebro menos interrogatórios mais chocolate a dividir por três igual à fórmula das viagens no tempo
se não perdermos os nossos sotaques herdados então nunca mais vamos perceber coordenadas e orientações, pontos de chegada e de partida
vice-versa, soma e multiplica por milhões de partículas inalteráveis
não fujas porque não vale a pena. a genética vai sempre perseguir-te
não me tentes comprar a solução. NÃO A TENHO.
Monólogos mentais encontram o caminho para o meu GPS.
c o n s t a n t e m e n t e
Já não elogiam o suficiente.
Já não batem à porta. Já não apagam a luz nem dão os pêsames. Já não pedem café e já nem provam o vinho. Já não dizem adeus.
As minhas repetições podiam ser mais relevantes e reveladoras.
Ainda comem, ainda bebem, ainda respiram e ainda estão nos abismos que quiserem, às horas que quiserem. E, se for preciso, e se o horóscopo sugerir (só precisam de uma sugestão, muitas vezes interna), vão bater às portas que calharem. Vão tocar nas pequenas campainhas rosadas que mais picarem as línguas. Que mais morangos derem.
Vou ao mercado. Adoro o cheiro a peças frescas. Adoro quando me esqueço do que quero a meio da frase. E adoro que os meus dedos voem sobre as teclas. As bancas nunca vão estar vazias.
Adoro dialogar assim. (Eu sei que eles detestam o silêncio). Diálogos pornógrafos e enviesados e relaxados e truncados. Vejo as palavras primeiro na testa, depois nas polegadas. Só depois as vejo neles. De todas as línguas que eu sei e que me estalam cá dentro numa mistura virtual de açúcar com ácido sulfúrico, a urina preferida vai ter sempre mais créditos.
Sou mais eu, e se o médico deixar até ponho a fruta na mesa. Não querem maçãs podres, já não querem. Não querem morangos doces, já não querem. Não sei se querem, não sei o que querem. Querem querer fruta mas querem querer a fruta do mercado. Aquela que enche os sentidos. Comida colorida é a minha preferida. Sempre.
Já não batem à porta. Já não apagam a luz nem dão os pêsames. Já não pedem café e já nem provam o vinho. Já não dizem adeus.
As minhas repetições podiam ser mais relevantes e reveladoras.
Ainda comem, ainda bebem, ainda respiram e ainda estão nos abismos que quiserem, às horas que quiserem. E, se for preciso, e se o horóscopo sugerir (só precisam de uma sugestão, muitas vezes interna), vão bater às portas que calharem. Vão tocar nas pequenas campainhas rosadas que mais picarem as línguas. Que mais morangos derem.
Vou ao mercado. Adoro o cheiro a peças frescas. Adoro quando me esqueço do que quero a meio da frase. E adoro que os meus dedos voem sobre as teclas. As bancas nunca vão estar vazias.
Adoro dialogar assim. (Eu sei que eles detestam o silêncio). Diálogos pornógrafos e enviesados e relaxados e truncados. Vejo as palavras primeiro na testa, depois nas polegadas. Só depois as vejo neles. De todas as línguas que eu sei e que me estalam cá dentro numa mistura virtual de açúcar com ácido sulfúrico, a urina preferida vai ter sempre mais créditos.
Sou mais eu, e se o médico deixar até ponho a fruta na mesa. Não querem maçãs podres, já não querem. Não querem morangos doces, já não querem. Não sei se querem, não sei o que querem. Querem querer fruta mas querem querer a fruta do mercado. Aquela que enche os sentidos. Comida colorida é a minha preferida. Sempre.
Sou um caleidoscópio: mudo a verdade todos os dias, várias vezes ao dia.
A ironia de não ter contacto humano a não ser com as pessoas nos transportes públicos a abarrotar. A ironia de não falar com mais ninguém a não ser com os anónimos que me caem nos auscultadores.
A ironia de não ter contacto humano a não ser com as pessoas nos transportes públicos a abarrotar. A ironia de não falar com mais ninguém a não ser com os anónimos que me caem nos auscultadores.
É a alegria dos pobres de espírito. Ou dos cancerígenos, e dos calvos, e dos gordos, e dos feios. Da diabetes e do hipertiroidismo que te povoam os sentidos. Olá, o meu nome é Hipotálamo e sou hipocondríaco.
Para não me aborrecer com o universo, mudo as horas e forço-me a pensar no tempo, forço-me a pensar nas horas, forço-me a fazer contas e a inventar fórmulas para escapar a mais um evento animalesco. Não me cansas de dar luz. Não me cansas nunca mais. A tua voz grave dá-me luz e óculos e coisas escuras também.
E podes dizer, do teu pedestal, que isto é muito neurotípico da minha parte. Viro costas e espero pelo melhor. Desde que lubrifiquem o que vão dizer, fico descansada e relaxo.
Muscula-me os olhos e dilata-me as sinapses para eu não me cansar nem sequer zangar.
Sunday, January 1, 2012
No meu canto onde sou feliz recordo a morada de um ex-emprego assim como recordo o caminho para a casa da minha ex-namorada. A sabedoria popular diz que bloqueamos as memórias mazinhas. Eu digo (e alguns cientistas também dizem) que bloqueamos aquilo que queremos bloquear, como os tipos da EMEL.
Não sei dizer se isso é bom ou mau. Não sei nada. Não perguntes.
Correndo o risco de soar incoerente, vou afirmar que deves, de facto, foder nas mesmas posições que fodias antigamente (com o outro). Levar os futuros aos passados. Ao planeta vizinho, ao indiano preferido, aos ataques de pânico.
Não sei dizer se me magoa ou dá prazer. (E não estou a falar só de sexo). Não sei dizer se chove ou faz sol. Apatia agorafóbica. Crueldade social? Pelo menos é melhor que a tua personalidade-limítrofe animalesca. Não me faças perguntas difíceis!
Quero ficar no meio. Não sei se a ditadura é boa para mim nem sei as bruxas existem. Não sei se essa cor te fica bem nem sei se pareces aquela cantora famosa. Não sei se gosto de mim nem sei se quero morrer. Pára de fazer perguntas, não sei se te quero responder.
PS: não sou lésbica.
Não sei dizer se isso é bom ou mau. Não sei nada. Não perguntes.
Correndo o risco de soar incoerente, vou afirmar que deves, de facto, foder nas mesmas posições que fodias antigamente (com o outro). Levar os futuros aos passados. Ao planeta vizinho, ao indiano preferido, aos ataques de pânico.
Não sei dizer se me magoa ou dá prazer. (E não estou a falar só de sexo). Não sei dizer se chove ou faz sol. Apatia agorafóbica. Crueldade social? Pelo menos é melhor que a tua personalidade-limítrofe animalesca. Não me faças perguntas difíceis!
Quero ficar no meio. Não sei se a ditadura é boa para mim nem sei as bruxas existem. Não sei se essa cor te fica bem nem sei se pareces aquela cantora famosa. Não sei se gosto de mim nem sei se quero morrer. Pára de fazer perguntas, não sei se te quero responder.
PS: não sou lésbica.
Não me dês mais do que a minha dose. Sabes as consequências de cor, tal como eu! Não me tentes vendar! Sabes que a minha epiderme funciona tal como a tua. E que as nossas aortas também pulsam em ré bemol. E por mais que tentemos mentir vamos sempre arranjar forma de chegar ao diafragma ou ao pescoço (o que for mais conveniente e demorar menos).
E faças a lista de reprodução que fizeres, nada vai mudar a música que me chega aos ouvidos. Já sou um menino grande. Já sei distinguir entre instrumentos de sopro sensíveis e cordas porcas e pianos brutos e baterias simpáticas.
E depois tens de apreciar aquilo que te cair na caixa de correio. O pior que te pode acontecer é não estares em casa para para atender a campainha ao carteiro.
Eu não sabia onde tocar, o andar, o número e o lugar. Por isso não cheguei a horas. Desculpa.
Por que ligar para aquele lugar onde ninguém te vai levar a sério? Eu juro que não faço chamadas anónimas.
Não me ames com plástico, electrões, matérias-primas ou zangadas. Ama-me com drogas, com etanol, com látex, com cera ou com cabedal. Ama-me com nódoas negras, arranhões, saliva e vodka preta.
E faças a lista de reprodução que fizeres, nada vai mudar a música que me chega aos ouvidos. Já sou um menino grande. Já sei distinguir entre instrumentos de sopro sensíveis e cordas porcas e pianos brutos e baterias simpáticas.
E depois tens de apreciar aquilo que te cair na caixa de correio. O pior que te pode acontecer é não estares em casa para para atender a campainha ao carteiro.
Eu não sabia onde tocar, o andar, o número e o lugar. Por isso não cheguei a horas. Desculpa.
Por que ligar para aquele lugar onde ninguém te vai levar a sério? Eu juro que não faço chamadas anónimas.
Não me ames com plástico, electrões, matérias-primas ou zangadas. Ama-me com drogas, com etanol, com látex, com cera ou com cabedal. Ama-me com nódoas negras, arranhões, saliva e vodka preta.
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