Saturday, December 31, 2011

Antes de sair de casa guardo o jogo tal como está naquele momento. Quem olha nem desconfia. Guardo e carrego à hora que me apetece, sem pedir opinião nem enviar notificações.

Toda a gente acha que deve dar a sua opinião. Menos aqueles que querem ficar no centro. (Os espertos.) (Segundo parêntesis porque é relevante: os sociopatas concordam com o que lhes serve o propósito.)

Como nos empregos. Toda a gente acha que o seu trabalho é mais importante que o do vizinho. Ou que há sempre uma correlação entre o trabalho do CEO e o do cantoneiro. "No meu trabalho também é sempre a mesma história". Comunistas amigos.

A minha identificação é a marca da minha escravatura. A minha escravatura com a humanidade e com a vossa honestidade. Se eu me achasse muito criativa tinha incluído ali outro parêntesis não-relevante a dizer "(falta de)" como a maioria dos sobre-estimados. Isto só para concluir que a marca da tua escravatura não é nenhuma cicatriz e não diz nada sobre ti. Se te queres valorizar faz um blogue e corta o cabelo. Ou então vai para o Facebook.

Whatever works

Encomendo uma retroversão dos meus sentidos. O sexo é tão alucinado que precisa de lixívia. Dou-te o dicionário para as minhas não-emoções e tu dás-me as fontes da tua memória. As maçãs podres de nós três nunca mais vão sair da banca. O mercado todo já sabe que sou poeta. Não falhes na gramática e eu não aprendo a fazer contas de dividir.

O mimo esconde tudo o que puder esconder. Mas também não vai deixar muitos espaços vazios para preencher. Nove em vinte. Não vais jogar xadrez connosco. Volta para o circo. Pessoal que sabe o que lhes espera do outro lado do espelho não devia merecer a palavra-passe. Nunca!

(Guardei o jogo)



Wednesday, December 28, 2011

Se começássemos a assumir que somos todos animais e temos instintos e comandos e vontades, o sexo seria finalmente livre. É a solução para o tráfico sexual. Metade dos problemas do mundo iam autoresolver-se. Prostitui antes o cérebro. Eu prostituí o meu e não me arrependo. (Mas também não te arrependes de nada.)

Para mal dos economistas de quem eu gosto, não sou viciada em dinheiro.

Relações homossexuais seriam bons contraceptivos. Qualquer pessoa se esfregaria na outra e trocar-se-iam propostas decentes a toda a hora. Porque toda a gente teria consciência de que somos todos uns animais!

Sou corrupta. Tenho de jogar pelas vossas regras só para não perceberem que eu na verdade não tenho regras.

Esticas-me como um elástico :)

E agora tenho mais que dois cérebros. :)

Onde é que eu acabo e tu principias? Teoria dos fios para ti.

E porque é que começo a usar o mesmo tom que tu? Só para não ter tantas saudades e fingir que sou tu e que estás em mim. Para a próxima falo com anónimos como se fosse carneiro e sobredotada.

Tuesday, December 27, 2011

Assim que saio, só quero voltar para o covil. Conforto e confiança, rebentar fronteiras e exercitar estatutos. Não sei quando me surgiu a ideia, mas sei que as notícias correm mais depressa do que um lutador de sumo.

Flashbacks levam-me às nossas drogas e nunca me quero reformar. Inspiras-me a ser.

Monopólio de prazer, és o dildo mais brilhante na montra. Se eu pudesse também ia para lá oito horas por dia com tempos extra pagos a giletes.

Quando subimos escadas olhamos para um lado. Quando descemos as mesmas escadas, olhamos para o lado oposto.


Monday, December 26, 2011

Ela brinca com o dado como se não houvesse amanhã. Na perspectiva dela não há amanhã: só há dias. Este, o próximo, aquele que já foi e cada um tem uma capa como se de um dossier se tratasse. Cada dia é um mundo e cada mundo tem as suas directrizes e vultos.

Põe-me de quarentena mas não me deixes envelhecer. (Não sei se) quero espalhar esta doença maldita.
Um constante quarto escuro onde não há nem eu nem tu. Quero viver na luz do quarto escuro.

Esta constante busca pelo porquê e pelo quando é mais do que aquilo que a minha mãe subscreveu no contrato vitalício do amor incondicional. Por mais interessante que pareça, custa muito. Custa mais que o empréstimo que eu pedi ao teu banco - e os juros estão pela hora da morte fácil.

Paga-me os juros em livros porque a senhoria é boa escritora. Se ela souber usar o dicionário já ganha mais pontos do que tu. Pena que o tempo está tão imprevisível. Prever horas também não deve ser fácil quando somos mais que muitas. A tua versão verde não está onde deveria - por muito que insiras as coordenadas nunca vais chegar a horas!

Quero uma prenda de natal monozigótica. Nunca mais me vai faltar calor humano. Vou sempre dormir despida porque não tenho medo. Dás-me oxitocina e eu dou-te TLC.

Foder gémeos deve ter tanto estilo como ler livros usados em vez de novos. Hoje de manhã desenvolvi um fetiche por gémeos.

Friday, December 23, 2011


nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca


Passadas treze vezes pergunto-me o que aquela palavra significa. Junto as letras e duvido. Duvido sempre. Não confio em nada, em gramática nenhuma nem em idioma nenhum. Intérpretes para uma conferência entre os nossos cérebros. O meu router é mais bonito que o teu e nunca guarda palavras-passe. Entrada grátis no clube dos desconhecidos, hoje!


Cede-se eunuco feminino desprovido de hormonas feliz e com sardas. Não cora mas também não berra. Nas ruas de Lisboa sou bissexual e latina. Não quero nunca separar-me dos teus olhos. Não quero nunca que deixes de me ver dançar e não quero nunca, NUNCA, que deixes de me ver ser.

Thursday, December 22, 2011

Para ser violada mais vale estacionar bem o quarto no carro. Não vá a porteira ter fruta mais doce que a tua. Aquela que desdenhaste ontem, amaste hoje e já não vais querer provar amanha.

P: Porque é que existe a definição de "ex-" pessoa?

R: Porque queremos esconder o nome, olvidar sentimentos relativos a X. Queremos re-contar a história sem os pormenores azedos.

X; ex-; N vezes; mais de 658965;







Não sinto nada. Morreu o padre, violaram-te as gavetas, ofereceram-te um animal de estimação. Vou forjar empatia e começar um inverno na ponta dos dedos. Não tenho de me preocupar - já não possuo bibliotecas gráficas nas entranhas. Se nevar (pior dos cenários) vai sempre nevar em mim. Tenho as notificações ligadas. Vejo tudo de cima, hoje.



Não sinto nada. Não me importa nada. Estou aqui porque não quero estar ali. Estou aqui porque me faz bem e me faz melhor que aquilo ali. Não sinto nada se me dizes que o prédio vai arder. Não sinto nada se me dizes "queres cair?"

A única forma de eu sentir não é acelerar, não é ter medo, não é ter dor. A minha única saída é o túnel que dá para o teu inferno.

Eventualmente a minha paciência vai ferver, como ferveu o teu sorriso de Glasgow. Aquele que não pensavas ser detectável. Aquele que eu pensei precisar de cura. Aquele que toda a gente acha muito anormal!

Entre mim e o menino jesus venha o diabo e escolha.

Sempre calculei o custo de um evento social versus o entretenimento q dele advém. É tudo um negócio: uma troca completa ou parcial.

Haha, e ver-te contrariar os sinais naturais...! Só para concordares com os que esperam aquilo de ti! Pára de enfiar elefantes nos aquários. Enfia antes a mão na cona.

Tuesday, December 20, 2011

Será que se eu usar outra língua (outro músculo), outra persona (outro ser) perdoas que te diga: amo-te?

Será que se eu usar outro músculo vai soar estranho? Será que nos vai saber ao mesmo? Será que vai significar mais (grãos)?

Serão poucas as vezes em que isto teve lugar. Quem se lembraria de dizer amo-te com outra língua? Com outra cona e com outros gemidos?

Quem se lembraria de escrever para fazer sentir? Quem se lembraria de distribuir panfletos para logo a seguir queimá-los, dando-lhes a textura da cinza que tão depressa dissipa como a areia nos meus braços?

Porque vou ser eu e eu vou ser todos os músculos em que estiveres. O gato de Schrödinger não me deixa mentir. E eu vou ser todo o amor que lhes dás e vou ter todo o amor que não dás.

Todo o prazer que terás, nunca o renunciarás. Porque é em mim que vives e que respiras o ácido das amêndoas amargas - aquele que te faz bem à asma.

PS: não vais ficar sem chocolate :)

Monday, December 19, 2011

O processo de ser como tu.
     
    
Sou sociopata, vou provar os teus sabores todos, do tutti-frutti à baunilha seca. Do rancor à condescendência. Do amor à paixão voraz, do ódio ao cansaço e da teimosia à inveja. Vais-me dando à escolha e eu aceito. Provoco-te e respeito-te. Desafio-te para o suor mas não me esqueces tão cedo porque já te entranhei e já te contaminei.
  
Ontem estava errado: ser tu não é uma questão de mentir. Mentir implica fazer algo fora da norma. Quando não há norma não há certo nem errado e não há verdade e nem há mentiras. Há verdades.
[Não serão suficientes as vezes em que frisarei isto.]
  
E o mais engraçado é que queremos conscientemente usar as verdades que as outras pessoas percebem. Usamos os mesmos símbolos, palavras, tons, expressões. Tudo. Damos o código e a chave de casa. Damos a encriptação e o cofre. (A minha criatividade é esta: espelhar a humanidade.)
 
Eu cá ganhei aversão e ansiedade a e por grandes amontoados de gente assim que comecei a perceber (de) pessoas.

O meu manto de invisibilidade deixa-me possui-los e nem dão por conta. Não têm medo e o resto também não nota. Faço-me de ti, deles, daquela de quem gostas e provavelmente daquele que odeias - porque não tenho remédio e porque não tenho revistas para ler. Nada me poderá parar porque nada saberá a minha verdade (esta). Mas parar o quê? Estou a dar-te aquilo que queres sem sequer teres pensado em pedir. Uma de mim está aqui, outra... no vidro. Sou infinito porque somos sobrevisíveis.

Quero-te (queremos-te, queremos-vos) tanto.

E, sem sequer uma dor de cabeça, peso na consciência, alucinação, tiques, batimento cardíaco acelerado... vais levando a areia nos pulsos... por baixo das unhas,
 
entre a medúla e o osso
 
na paranóia
 
e entre os poros
 
e no teu pequeno orgasmo
P: Porque é que mulheres oferecem chocolates a mulheres?
R: "Já estou tão dormente, que sei lá..."
 
P: Porque é que somos verdadeiros animais na estrada?
R: "Estamos a ficar no terceiro mundo por causa da alfândega."








Porque é que cortas o cabelo para ir à festa? Ou usas um vestido novo? E porque é que mentes descaradamente sobre quereres acasalar? Toda a gente vê, toda a gente sabe, ninguém diz nada. Pacto de silencio número 2. E depois, se sou honesta e digo as coisas como são... passo por intrometida, louca, até má. A má da fita.

Se eu conheço o jogo de fora para dentro, porque é que não o hei-de jogar também? Eu até sei mentir.

A minha bipolaridade quântica dá-me dores de cabeça. Ao menos tenho respostas para as minhas próprias perguntas, o que já é mais do que os 99%.






Sunday, December 18, 2011

Declaração de Dependência


Considera(m)-se a(s) seguinte(s) verdade(s) como evidente(s) por si mesma(s); que somos iguais, dotados de certos direitos inalienáveis por nós próprios. Entre eles: a vida (o oxigénio), a liberdade (não precisa de explicação) e a busca pela felicidade (o que quer que isso signifique hoje ou amanhã).



Considero-me, auto diagnóstico,  viciada. Agarrada, engatada, bloqueada na tua mira e todas as outras metáforas que gostas de usar, que gostas que eu use e que eu adoro gostar.
   
Não sei o que fazer, não sei o que dizer, quando penso em ficar sem chocolate para o resto da vida. Sei o que sinto, que é tão difícil de reescrever como a história das ampulhetas. Sei que consigo explicar o processo científico e social do mecanismo que me trouxe aqui. Sei que, pelo menos isso, entendo.
     
Declaro sob compromisso de honra que nada faço para entrar em conflito com território limítrofe. Declaro sob compromisso de honra que possuo cultura, língua, bandeira e hino nacional. Posso ainda estar em progresso, como espero estar durante muito tempo, mas sou um país em forte desenvolvimento socio-emocional e estou no Top 5 dos mais promissores a nível continental.
        
Mais declaro que a velocidade a que evoluo depende do número que colocas na minha passadeira. Depende das aldeolas que constróis e das ovelhas que colocas no meu pasto. Depende dos exércitos que treinamos, juntos. E não estou a declarar isto daquela forma neo-nojenta do «só escrevo por ti, por tua causa, por tua razão, porque vives em mim, porque não tenho personalidade e sem ti não tinha vontade de me escrever.»

Estou a declarar que me dás vontade de crescer, expandir, contagiar, passar de corpo em corpo como uma epidemia e não parar nunca. Crescer como um arranha-céus no Dubai e fazer uma salgalhada da epigenética.

Saturday, December 17, 2011

Sou uma partícula que ás vezes vou para a direita, outras vou para cima. A minha dona não sabe o que eu faço quando ela não está a ver. Acha que sabe porque se pensa mandona, e tal. (Como namorados que não sabem o que o outro está a fazer quando não estão a ver, a controlar, a observar à distância tipo investigador científico).

Assim como uma mulher casada que toca na melhor amiga com uma mão e masturba o marido com a outra.

Quando um casal se passeia na rua e um deles decide "encher o outro de beijos" - que frase nojenta, tantas vezes repetida, tipo papel de embrulho de natal, na literatura, na televisão, em diários, em confissões, em SMS e redes sociais. Aquela pessoa não decidiu merda nenhuma. As partículas que se lhe compõem o cérebro decidiram agir assim porque sabiam que estavam a ser observadas.

Como uma mulher "bêbeda" que faz coisas muito fora de carácter porque acha que não se está a observar, i.e., acha que não se vai recordar amanhã. Mete na cabeça que vai ter um blackout e só assim tem carta verde para a falta de limites. Fácil.

Thursday, December 15, 2011

A nossa mecânica quantica qualquer dia fode-nos. Como qualquer ser humano com genes, hormonas e proteínas, nós também agimos de forma atípica (ou pelo menos descontínua) quando sabemos que estamos a ser observados. E não estou só a falar de dois pares de globos oculares a verem-te preparar a secretária de trabalho para o dia de hoje. Estou a falar dos papéis que eles sabem que tu estás a desempenhar agora, hoje, pelos próximos seis meses, indefiníveis anos ou agora que foste promovido. Vão julgar todas as tuas acções, ainda que silenciosamente, e agir de acordo. Pacto de silêncio de boca. Será que as partículas estudadas em física quântica também se julgam umas às outras? Não são tão idiotas como os humanos. E é por isso que são mais interessantes (não são tão aborrecidamente previsíveis). Vou estudar física quântica, hoje. Amanhã delibero.

Monday, December 12, 2011

O meu amor não é uma ampulheta.
 Não tenho de tirar de um lado para pôr noutro e não conto grãos todos os dias como se estivesse a coleccionar livros. Quando dizes que me amas mais a cada dia que passa (e assumes não saber o que isso significa, pelo menos tu!) não estás a quantificar nada: estás sim a dizer que hoje descobriste grãos novos.

O meu amor não se mede aos grãos.
Mede-se a ampulhetas, a tempos, a alarmes, a dimensões e a «mais». O «mais» que digo que te amo não é «mais» 981 grãos de areia na nossa ampulheta nova e acabadinha de instalar - é sim um pedragulho que dará lugar a uma nova ampulheta, a uma nova vida, a um novo tempo. Hoje não te amei mais dois bocados deste tamanho assim ____. Amei-te mais esse bocado novo para mim.

Uma colega de trabalho vangloriou-se de ter conseguido um pack de dois Nicholas Sparks por dez euros como uma dona-de-casa que se vangloria de ter comprado dois pepinos pelo preço de um.
Uso a minha honestidade na pele e a minha adaptabilidade na testa.

Uso a etiqueta nas mãos e o rótulo na ponta da língua. Acreditas no que quiseres e usas as células que te convêm. Respondes a) b) ou c) de acordo com as condições metereológicas. Se não queres comprar sexo, vende cocaína.

Saturday, December 10, 2011

um mais um igual a dois
dez mais dez igual a vinte
dois mais dois igual a quatro
vinte mais vinte igual a quarenta
três mais três igual a seis
trinta mais trinta igual a sessenta
quatro mais quatro igual a oito
quarenta mais quarenta igual a oitenta
cinco mais cinco igual a dez
cinquenta mais cinquenta igual a cem a cem a cem a cem a cem a cem a cem
seis mais seis igual a doze
sessenta mais sessenta igual a cento e vinte
O Japão é a hipérbole do mundo, o som que a minha cona faz quando me fodes e repetes constantemente coisas que me enfraquecem agora, e a sublimação homoerótica que as máquinas de musculação testemunham... Dia após dia após dia


após dia            após dia                   após dia                      após dia                             após



dia                                     após dia                                               após dia...











Tuesday, December 6, 2011

Bebo sangue da torneira porque não confio em ninguém.

Eu sou o menino mais alto de um grupo de 7 anões. Sou aquele que não te convida, não te serve e não te veste.

Sou aquele que vê os bíceps ao espelho e mesmo assim trinca a maçã.

Sou aquele cheiro a frango assado que nunca vais olvidar. Aquele som estaladiço com que sempre vais contar. Aquele sonho que nunca vais querer realizar. Aquele teste de ADN que não vais poder calar.

Sou a assunção de que não há nenhuma solução mágica - nenhum fix para esse bug. Não há pílula milagrosa que te solucione. Não há (...)

Monday, December 5, 2011

A memória é tua amiga, sim, está descansada. Ser um sociopata pode parecer mais simples do que é na realidade? Sociopatia não é só mentir, querida.

Será preciso dar-te benzodiazepinas para ires ao forno!

Os distúrbios emocionais metem-se-te no caminho. Claustrofobia. Escotofobia. A nossa constante autofobia.

Não consegues domesticar animais selvagens. Queres pôr elefantes em aquários e gatos à janela. Mas não é assim tão fácil, pois não.

Porque esqueces o que já sabes?! Porque não sabes o que sabes e não sabes o que não sabes, tola. A memória é fascinante mas só quando te convém. Mas deixa-te de ansiolíticos e cheira nitrato de isopropilo - se já não fores muito masoquista.

Tenho-te entre o metacarpo e o hipotálamo. Só falta saber se és de plasticina.

Será essa apis mellifera o nosso calcanhar de Aquiles: A-posto as minhas mãos no mimo.

Sunday, December 4, 2011

Teste n.º 2


1) Passar das palavras a acções. Check

2) Manter uma mente aberta. Check

3) Dar aquilo que te é pedido. Check

4) Usar a pele adequada. Check ✔ (*)



O que é que falhou, então, desta vez? Teres estado tão expectante quanto ansioso pelos resultados, que não viste o tubo de ensaio a jorrar. Tal qual experiência de laboratório, tens de prever todos os cenários possíveis - de forma a que o resultado não seja uma surpresa desagradável.  





 




Amo-te mais amanhã.

Amo-te mais amanhã.

Amo-te mais amanhã.

Amo-te mais amanhã.

Amo-te mais amanhã.





 

Saturday, December 3, 2011

Enquanto brinco com a minha aparência, para empurrar a brincadeira no sentido psicológico da coisa... reparo em muitas coisas:

- As pessoas não gostam de mudanças.

- As pessoas adoram criticar as mudanças de acordo com os seus padrões limitados.

- As pessoas adoram ser ouvidas. E acham que têm o maior direito de expressar opiniões sobre coisas que aparentemente implicam com o dia-a-dia delas.

- As pessoas, para depois se acostumarem a essas mudanças que as chocaram, encaixam cada coisinha num cantinho designado de acordo com o que se passa. Pintaste o cabelo de roxo? És muito alternativa!




Ahhh, sinto falta de ter vícios. Daquela adrenalina a percorrer-te as veias quais raios de sol injectados. Sinto falta de foder as actrizes pornográficas e de provar as iguarias peruanas através do paladar do Anthony Bourdain.

Enquanto isso, descubro novos sabores e jogos. Novos papéis e esquemas. Mudar de aparência ajuda. Imagino o que certa gente não irá pensar, numa mudança de visual tão "radical" e repentina. Diagnóstico?

Thursday, December 1, 2011

Braços cruzados, não sinto o frio. Tudo preparado, tudo no sítio. Sei as condições meteorológicas para amanhã e sei as horas que tenho. Não vão haver surpresas. Vai correr tudo como previsto.

E também não vou ter muitas alegrias, nem muitos esgotamentos. Não me posso dar a esse luxo. Já tentei e (...)

Gosto de me sentar sempre no mesmo lugar, colocar as coisas sempre pela mesma ordem e realizar os meus rituais com diferentes pessoas. Estou a chegar a um ponto em que os rituais deixam de fazer sentido - porque deixei de sentir o conforto de antes. Como aquela música que nos arrepia: se a ouvires demasiadas vezes, deixa de te arrepiar. Como a ex de que ouves tanto falar que deixa de ser a malévola e passa ao que realmente é.

Nada é eterno, tudo se transforma.

Gosto de estar aqui, no centro, a ouvir os relógios onde se passam segundos, horas da minha vida. É com tristeza que assumo isso como hábito. Hábitos tornam-se inimigos. Gostava de ter como hábito fazer algo diferente todos os dias. Challenge accepted.


Wednesday, November 30, 2011

Quem me dera ter nascido sem pálpebras superiores. Mas depois a ciência ia arranjar uma solução qualquer e não resultava como eu imaginei.

Infelizmente temos de jogar o mesmo jogo que os outros. O jogo do acasalamento é mais básico que o Bubble Shooter se quiseres estudar ângulos e consequências.

Será que os psicopatas coram? Detesto corar. São provas, declarações de culpa e de emoções. Quero esconder ainda mais e mostrar ainda mais. Quero re-aprender a mentir.

Eu sempre soube que era uma boa mentirosa. O problema eram as barreiras. Os ideais impostos faziam-me auto-sabotar. Desde os tempos de escola em que escrevia cábulas e depois expunha-as ilógicamente.


As pessoas são tão consequências de vidas passadas! Mas não estou a falar daquelas vidas passadas com as quais temos "contacto" quando vamos à bruxa. Estou a falar de vidas a.C. ou a.AqueleMessiasEmQueCrês. Vidas antes dessa, que te faz estar a ler um blogue, agora. Vidas antes de seres esta tua versão. Será que eu sou apenas uma plataforma ou sou uma versão completamente nova? Será que sou o 1.0.7.3392 ou o 2.0.0.1234? Poderei eu funcionar com duas versões ao mesmo tempo? Ter o Windows 7 e o XP no mesmo computador. Os programas com os quais opero vão ficar confusos. E eu então...

Mas enfim, o problema é não querer pensar nessas vidas passadas e ainda assim ter plena consciência das consequências vivas tipo sinais nessa tua pele nova. São incómodos. Picadas de melgas, que te fazem comixão à noite.  Claro que ter sinais e picadas é bom - quer dizer que já passaste por umas coisas. Mas ao mesmo tempo também é desconfortável porque de vez em quando vais estar a contradizer-te. E o que ontem era Y hoje dizes com toda a convicção que é X. Claro que já todos sabemos que a consistência é sobrevalorizada. Mudar de ideias é bom. Mudar de verdades é óptimo.

Tuesday, November 29, 2011

Sobre trocas de energia

Ver o Outro a ter prazer dá energia. Num concerto, quando vês o Público a curtir o teu som absorves essa energia. Por isso é que é essencial trabalhar nas expressões faciais - senão, como é que vais transmitir essa energia? Ninguém vai adivinhar que estás a adorar/odiar. Mas isto, como no sexo, funciona em ambos os sentidos. Por isso é que os opening acts falham muito. E é assim que, depois de algum tempo, consegues distinguir os maus actores de telenovelas e as actrizes pornográficas que estão mesmo a divertir-se.

E não é o quanto gastas numa prenda - nem por ser natal ou aniversário - é o que passa das tuas mãos para a mensagem e da mensagem para o receptor. Energia, magia da mais antiga. Se acreditares em magia... Para mim, é real.

Será que o tipo com o bloco de notas é mesmo jornalista ou só quer chamar à atenção?



A reciprocidade é uma coisa muito fodida. Como o karma. Fazes-me bem, levas com bem de volta. Fazes-me mal... Nem queiras saber. Energia boa versus energia má. Vai tudo dar ao mesmo: o teu prazer.



PS: Não quero mais pensar no meu passado sem rumo. No meu "para onde vou?" e "para onde me hei-de levar?". Só quero futuros, a partir de  a g o r a.

Saturday, November 26, 2011

Acho que a minha mãe não gosta muito que eu saia e tenha amigos.

Porque a minha irmã sempre teve muitos amigos e saía quase todos os dias, eu tornei-me no extremo oposto ficando em casa, sendo solitária e fazendo companhia à minha mãe - até fins da adolescência.

Assim que comecei a ter relacionamentos mais constantes [que, se calhar mesmo por isso, foi raríssimo] a coisa começou a correr mal. Para ela, (e para o meu pai) eu já nunca parava em casa nem ligava nenhuma à "família".

E, agora, especialmente porque a minha irmã já não mora connosco e tem a «vida dela» - o meu dever era ainda ser um biblô constante. Muitas saídas sempre fizeram e sempre vão fazer confusão, porque esse não foi o guião que ela escolheu para mim.

É a mesma situação relativamente a eu insistir que ela peça ajuda ao meu pai para carregar as compras do carro até casa. O nosso dever como as mulheres da casa é tratar das compras, da comida, e não chatear ninguém no processo.

Lamento - mas eu não tenho de pagar pelas tuas más decisões.
Uma guerra civil a acontecer por detrás dos teus olhos. Como o teu corpo estar a dizer-te uma coisa e a tua cabeça, outra. Veres cadáveres na tua cama antiga com uma bandeira fantasma lá espetada. E fechas os olhos porque a realidade é aborrecida, tão aborrecida. Assim, observas só o que quiseres - SÓ PORQUE UMA COISA TEM DE SER DITA NÃO QUER DIZER QUE TENHA DE SER OUVIDA.

A tua falta de tacto não é brutal honestidade. É falta de tacto.

É difícil esquecer-te tendo tantos espelhos à volta. Às vezes só me apetece desaparecer (imigrar). E mesmo que realizasse a minha fantasia de virar o volante, de repente, a meio da ponte 25 de Abril... Aquelas coisas cinzentas não me parecem assim tão frágeis.

Será que finalmente aconteceria como naquele filme em que uma de mim cai enquanto que a outra prossegue viagem? Era assim que eu queria - continuar pela A2 em direcção a Espanha.

Thursday, November 24, 2011

Mesmo que estivessem no emprego mais feminino do mundo, «os homens» iam comportar-se da mesma forma:

Exibicionistas, tentam aquilo que não sabem, falam daquilo que não têm a certeza e dão sugestões uns aos outros de como fariam isto ou aquilo melhor.

[Todas as alianças são horcruxes.]

Aprender a partiilhar pessoas devia ser tipo inglês, todos os anos tinhas essa cadeira com TPC e apresentações em PowerPoint.

Wednesday, November 23, 2011

Optimisto é apenas placebo auto-administrado.

Hoje começa uma nova era. A era em que não me importas tu nem ela nem a TV. Em que passo da ideia à acção e em que vou daqui ali sem notas-de-rodapé e post-it's a dizer que vais ter muitas saudades minhas. Eu não vou ter saudades dela. Daquela a quem escreveste e com quem falaste. Também não vou ter saudades desse remetente.

Tenho saudades do teu futuro.

PS: é como ir para o ginásio de cu tremido ou fingir uma bebedeira-orgasmo para depois te auto-chicoteares. (Já que ninguém mais o faz e tens vergonha de pedir.)

Tuesday, November 22, 2011

Prefiro ensinar os meus filhos cedo a usarem a genitália do que a abrirem garrafas de cerveja. (Sim, isto acontece.)

Pequenas vitórias não é só tencionares rapar o cabelo. É, conscientemente, lançares o dado e arriscares a jugular naquele milésimo de segundo.

E só és a mais popular se tiveres aroupaeosacessóriosepenteadoeverniznasunhas mais populares!!!

Para conseguires o que queres - exactamente o que queres - há sempre um preço superior a pagar. E questionas-te, vezes sem conta "porquê, porquê?". Porque é que tens de te «apaixonar» sempre pela peça mais cara ou pelo rapaz gay ou pela rapariga que já está «comprometida»?! Raios te partam!

Os modelos da moda são sempre os mais inatingíveis. Por isso não podes engatar só com a roupa e tens de fazer piruetas para que os alvos mais populares fiquem sequer dentro do teu alcance. O valor que tens depende da moeda de troca que o teu alvo vai compreender. É como cada alvo ter uma língua e uma moeda diferentes. Cada alvo é uma cultura e um país independentes. O problema é se tu vês um valor e os outros vêem outro.

"Isto não é o poço da morte."

Sunday, November 20, 2011

http://en.wikipedia.org/wiki/Asperger_syndrome


"As tuas expressões de dor e prazer são muito parecidas."

Saturday, November 19, 2011


Deixar o medo. Deixar aquelas preocupações cliché de sempre. Reconfigurar os medos, repensar as precauções.

Se deixares de ter vergonha de estar com o período entao passas a ter direito a sexo 365 dias do ano. E depois podes começar a explorar para além do teu medo. Podes finalmente andar no teleférico porque já não vais ter medo de alturas. Deixas de ter as mesmas desculpas de antigamente.

Assim como se deixares de ter ciumes, podes ver a tua namorada a ser comida por dois tipos estranhos. Sim, aquela fantasia cuckold que sempre encontra o caminho para os teus pensamentos ao fim do dia. (Especialmente depois de ires ao talho com a tua mulher e vê-la interagir com os senhores charmosos.)

E assim já podes desconstruir o sexo. Parar a meio para falar sobre ex-namorados, apontar versos ou decidir que filme vão ver.

E assim poderás desconstruir o que quiseres a partir daí. Porque não? O pior que pode acontecer é essa pessoa ficar na mesma.

Pegar numa pessoa e desconstruí-la. Chamá-la de namorada ou de brinquedo humano é a mesma coisa. Uma boa desculpa para dizer que te amo é não te querer perder de vista. O GPS nos telemóveis é um inimigo dos ciúmes. Porque a ética não te permite fazer muitas investigações ou provar teorias sociológicas.

A ética é inimiga das investigações. O pessoal que estuda os orgasmos que o diga.

Tens azar que eu também adoro ter razão. E faço qualquer coisa para provar que ganhei. Até mudo a verdade só para veres que eu tinha razão. O Google é inimigo da minha razão, às vezes.

Wednesday, November 16, 2011

Não - é porque empurra e puxa os limites que tu nem sabias que tinhas. E os que sabias que tinhas, também; mas que pensavas inabaláveis.


Limites.

Porque olha para ti e vê a bolha que tens à volta da tola, da cona, da tua identidade de género, do teu futuro e do teu passado e da tua memória. E depois, com um sorriso no rosto, rebenta as bolhas todas - uma a uma - só com um indicador.
Seguir guiões não é mais do que brincar com as mensagens que queres mandar e toda a gente faz isso. Não é uma funcionalidade exclusiva dos sociopatas, por muito que o pareça.

As pessoas descobrem que o mais fácil é começar pela aparência. Na sabedoria popular diz-se: "às vezes basta mudar de visual para nos sentirmos uma nova pessoa".

Um corte de cabelo, uma mini-saia, qualquer coisa serve para dizeres "já não sou quem tu conhecias." Infelizmente, nem sempre é o caso. Não é por usares um decote que vais ficar mais sedutora. E também não precisas de pintar o cabelo para deixares de pensar nele (porque ele adorava essa cor em ti).

Acho que é isso que difere a gentinha dos sociopatas - eles sabem o que estão a fazer e porquê.

É por isso que não precisam de dar desculpas idiotas para o que querem (se as dão é para satisfazer normas sociais exigentes que lhes convêm naquele momento). Ou porque o alvo é tão transparente que praticamente grita o que quer.

Porque soa muito mal dizer que gostas do teu namorado porque ele até te fode bem.

(Até há bons motivos para ter uma relação aberta para além da luxúria: não ficas destreinada e por isso não custa tanto, tudo.)

Isto tudo começou porque, no início do dia pensei "como é que vou sobreviver dois meses sem isto?".
Mas «isto» nao é magia. Não são placas tectónicas a chocar como no Japão ou como nos dizem que o amor é em Hollywood.

Se eu tivesse treinado antes do jogo não teria estado tão desesperada e pressionada. Uma semana, 6 dias e 5 horas para viver? E ter a insensatez e ousadia de pensar que és a actriz principal.

Claro que tinhas de ser a actriz principal, a princesa encantada, a tal, aquela que o sabe foder e tocar, a cona mágica, a cona que vai dar vida aos pequenos demónios que lhe farão a vida negra - como tu.

Não são as mãos dele na minha pele. Nao é o que a pila dele faz à minha cona. Não são os seus belos olhos verdes. Não são aquelas botas da Top-Shop (link para suposto estudo em que mulheres afirmam sentir-se atraídas por homens com sapatos estilosos / por homens com pés grandes porque normalmente isso significa ter um pénis enorme).

Monday, November 14, 2011

A publicidade deixa de ter efeito em «nós». Porque não somos iguais aos outros.


Apetece-me chupar do teu sangue, só um bocadinho, só para ficar com ADN teu, permanentemente, a fim de não sentir a distância.
Mutação?



P: O que fazer quando recebemos mensagens indesejadas?
R: Aprender a receber as mensagens e a não reencaminhá-las para a tua tola automaticamente. Ignorar mensagens que não te interessam. Filtros dos bons.

P: O que fazer quando sou "obrigado" a fazer coisas que só me dão prazer em último plano?
R: Aprender a extrair prazer de situações tipo favor/focar no objectivo. (Mais uma vez a relação meios-objectivos a atormentar-me.)




Se tirarmos os ciúmes da equação, o que é que tens de fazer para eu sentir dor? Ciúmes são nocebo.

Antigamente, sexo era a moeda de troca, porque sexo = amor.

Para «nós», sexo não é a moeda de troca. Amor sem o sexo é a moeda de troca. Porque sexo é só uma conversa. Mas uma conversa pode ser amor, também. Estou a contradizer-me? Que se foda, a consistência é sobre-estimada :)

Amigos com benefícios também se amam.

Sexo nunca vai significar dor para outros. (Para além disso, dor em sexo nunca dói fisicamente. Seria um paradoxo universal.)




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Vende-se humano (m/f):

Descrição: Não gostamos da nova Pessoa 4N93|4, por isso decidimos procurar um novo lar para ela!
Tem baixa auto-estima. Péssimo sentido de orientação (físico e intelectual). Boa aparência quando trabalhada.
Favor contactar 0100 011 100.
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Finalmente percebo porque é que certos curricula universitários funcionam e outros não. O pessoal não ouve as músicas certas. Acham que isto ainda é uma aprendizagem contínua, como na escola. Que os erros que fizeste antes vão servir para não chumbares este semestre.

(Tenho uma ideia de que este ano académico vai ser uma aprendizagem semi-eterna. Não contínua, mas desconstruída e desemaranhada de curricula)

(E, se for preciso, mato e roubo e faço um broche a um espantalho - só para te ter ao pé de mim).

Sunday, November 13, 2011

Dar um pontapé num bebé.

Pessoas são previsíveis: evitam-te o olhar enquanto não há interacção. Só depois é que confiam. Hanshake Process.

Querias mandá-lo pela janela, mas não mandas. Tráta-lo como um boneco ao invés disso.

Entrar em conversas de carros só porque tens pila e ires para o quarto dos bebés só porque tens cona.

O género é ultrapassado quando tens bebés? Não, só tens um papel diferente. Outras coisas serão esperadas de ti.

E quando sais de casa dos pais para viver com a outra metade da maçã podre também passas a ter outro papel. E que nem te passe pela cabeça andar sem ela em encontros familiares.

Os papéis falhados: as discussões, as não-comparências, as ovelhas-negras. Esses divórcios.

"Os carros e os vestidos não te darão felicidade." Nem o GPS nem os tablets. A mousse de ananás dá-me mais felicidade que um envelope com dinheiro no Natal.

Quero ser feliz contigo, por isso não estragues merdas ao dar-me casacos. (Mantém a temperatura corporal acima dos trinta e cinco, se faz favor.)

É como fazer um bolo de aniversário com o Ruca cuja mãe teve um cancro há um ano atrás. Isn't it ironic?

Ou sentir-me um travesti por usar sapatos de salto alto e o género definido em masculino, no Facebook.

O típico impôr de guiões no pessoal... que previsível.

Comida

Abraços

Um olhar

Poças de água

Esquilos

Música

Ele a dançar

Eu a vê-lo dançar

Género nunca mais.

Conduzir

Cheiro a gasolina

Cheiro a poppers, que são proíbidos na sauna.

Saturday, November 12, 2011

Sinto que estou a brincar com o fogo. E que esse fogo és tu. Que me compeles, que me chamas e puxas e brilhas no escuro. Aquele brilho que desconhecemos mas que ainda assim queremos tocar, sentir, cheirar só porque tememos o desconhecido.

Quanto mais te toco, mais quero tocar. Quanto mais sou queimada, mais quero arder.

Tenho medo do que me pode esperar para além do brilho mágico ardente que me aquece em noites frias. Mas sei que não conseguirei olhar para trás. Quem conhece um quente assim não quer voltar para a electricidade. Qual quente forçado.

Tenho medo de deixar as mãos no fogo muito tempo e sair de lá com cicatrizes mais feias que sensuais. Como sempre, o medo de não me reconhecer?

Tenho medo de te perder.
Será  que também me vou tornar egoísta? Será que vou dar por mim a tatuar o corpo de mentiras, a alugá-lo sem pedir permissão aos meus pais ou namorado? Porque o objectivo final será apenas o meu prazer, pagar o meu Mestrado ou quem sabe abrir os olhos daquela miúda.

via email, XXX X. @ 19:20




Jura que não vais ter uma aventura
Dessas que acontecem numa altura
e depois se desvanecem
Sem lembrar se é boa ou má e por isso mesmo se esquecem


Jura que se tiveres uma aventura
vais contar uma mentira
com cuidado e com ternura
Vais fazer uma pintura
com uma tinta qualquer


Que o ciúme é queimadura
que faz o coração sofrer


Jura que não vais ter uma aventura
porque hei-de estar sempre a altura de saber
que a solidão é dura.
E o amor é uma fervura
que a saudade não segura
e a razão não serena.


Mas jura
que se tiver de ser
ao menos que valha a pena.

Thursday, November 10, 2011

Se deixasses por completo a tua antiga pele... ias ser livre. Por completo. Objectivo: liberdade.

P: Sente que tem medo de alguma coisa?
R:



Os anónimos não vão saber se és X, Y ou ABC. Percebeste? Não tens de usar a mesma pele em todas as ocasiões, em todos os lugares, a toda a hora.

Pele nr. 1 - casa

Pele nr. 2 - trabalho

Pele nr. 3 - amigos

Pele nr. 4 - fórum do stand virtual de carros

Pele nr. 5 - sair sozinho

Pele nr. 6 - sair com família

Pele nr. 7 - blogue que escreves anonimamente.


O que ganhas com isso? O objectivo será cumprido e podes dar graças aos céus que o clã ainda não te deu um pontapé no cu.
Qual escritor que depois de passar por uma experiência aleatória X, pensava que também ia ficar variadamente inspirada para escrever. Inspiração é muito sobre-estimada.

Periodicamente dá-me umas ganas de abanar as pessoas e dizer-lhes que não têm de ser/viver/andar/foder/tocar/falar/tocar-se/rir assim.

No bar, cada pessoa senta-se numa mesa vazia. Todos virados para o mesmo lado. Para a TV e para a saída (que, curiosamente, estão na mesma direcção). É para não ficarmos confusos?

Eu sei que isto parece tirado de uma série de animação japonesa futurista e/ou pós-apocalíptica [quem é que disse que o apocalipse não está aí à porta?]. Mas não é. Acho eu ?
Primeiro teste. Remorsos e culpa inexistentes. Tudo para trás das costas. O bem e o mal ficaram nos filmes da Disney. Não quero ouvir Nickelback porque me faz lembrar guiões que já não sigo. Não quero telenovelas nem ouvir gente idiota a discutir se determinado tipo de música é sensual ou sexual.

Será que quando os lembretes e notificações de regras quebradas pararem... vão tomar outro tipo de formato? Tipo tremores oculares, sonhos, borbulhas?

No fundo é o que essas coisas são: lembretes de vidas passadas e nas quais não queremos pensar e com as quais não queremos lidar. Incómodos.

Tuesday, November 8, 2011

P: "Achas que escolhes de quem gostas?"

R: É uma fórmula muito complicada que muitas vezes, pela sua particularidade e vulnerabilidade, nos enganamos muitas vezes a calcular.
Os vários componentes terão diferentes percentagens e pesos - dependerão das tuas necessidades no momento. E, assim sendo, apraz dizer que é uma escolha consciente.

Actualmente, creio que apenas 1% de tal fórmula se deve a um qualquer processo incógnito.

Os meus sinceros votos,
Dou-te os meus polegares, muco, pâncreas, saliva, artérias, pus, vesícula e amígdalas.



07-11-2011 08:12
XXXXX XXXX via SMS

Acabei de me aperceber por que sou tão impaciente com relações humanas. Não estou habituada a investir, a deixar uma coisa assentar e fermentar e desenvolver. Ao longo do tempo tenho ficado cada vez mais céptica. E é por isso que, quando quero que relação X vá para patamar X2, as pessoas ficam confusas e admiradas com a minha insistência e intenção. Eu não segui o script.

As pessoas têm medo de emoções fora do contexto. Gostam de simplificar (na verdade, complicar).


PS: Tem de haver mais gente como nós, algures.

Sunday, November 6, 2011

P: O que fazer quando te cortam as pernas?

R: Paciência. Muita paciência e perseverança. Estratégia e lógica. Ponderar e antecipar.

Mais uma vez quero tudo; agora e já. Não quero cancelamentos de última hora nem desvios. Quero aquilo que estava combinado. Pensar em planos b)'s pode ser perigoso quando ainda não estás à vontade na tua nova pele.

[E deixar alguém pensar que teve uma ideia por si só... é pura e simplesmente delicioso. Achares que tiveste a ideia mais genial de sempre para resolver aquele problema gigante que se te apareceu no caminho...
Pior só mesmo aperceberes-te de que afinal, afinal... foram-te dando sugestões decisivas para chegar aqui.]

Gostava de conseguir hipnotizar a malta e pô-los a fazer o oposto do q queriam (achavam que queriam).

Saturday, November 5, 2011

E se achas que eu estou a escrever para ti, estás muito enganada. Estou a escrever para ti, para ele, para os outros. Por todos aqueles que já passaram por mim e por quem eu já passei. E se achas que eu não entendo a linguagem que utilizas - estás muito enganada.

Não sei se é porque falo mais línguas que a maioria das pessoas mas a verdade é que percebo
e
x
a
c
t
a
m
e
n
t
e
o que estás a fazer.

Corrige-me se estiver errada.

Friday, November 4, 2011

Sorriso = felicidade

Orgasmo = felicidade

P: O meu namorado não sorri, devo ficar preocupada porque não o faço sorrir?

R: Uma vez que nos livramos do antigo OS, que novos protocolos deveremos usar para comunicar com a felicidade? O que nos faz sentir bem - máquinas oleadas a prazer.

Filtrar pessoas e situações por causa da moral ou dos padrões pré-definidos que tens na cabeça não te vai levar a lado nenhum [literalmente]. Tenho de saber lidar com pessoas que não sabem não-filtrar. Personagem nr. 2.

É como ler ou ouvir as perguntas a um questionário, pensar na resposta mas responder outra coisa. Personagem nr. 3. Ainda não estou evoluída suficiente (?) ou estou e... ?

E é como escolher o presente com a facilidade de quem escolhe o que vestir para um funeral... sem pensar no que vão pensar de ti. Porque simplesmente não vão saber que és a versão 2/3/etc. Nota de rodapé: não deixar que espectadores do canal-1 vejam o canal-2 senão o feitiço faz ricochete. Post-it: adaptar sempre os personagens.

[E é como haver diferentes user profiles dentro de uma intranet com direitos de administrador e restrições diferentes. Oh céus, como estou a adorar isto! As configurações são ilimitadas.]

E também é como fazer exactamente o oposto do que te dizem. Como três em cada cinco pessoas terem uma «personalidade» completamente díspar da dos seus irmãos. Como amares o teu pai mas contradizeres (quase) tudo aquilo em que ele acredita. Como ouvires só música que o teu namorado detesta.

P: Porque é que só sou ambiciosa com o que não devo?

R: Só isto já me soa mal - "não devo" - quem diz? Quem disse? Deus? Mas qual? Deves fazer aquilo que te dá prazer, aquilo de que precisas agora. Ser esperta nas decisões... pensar nas consequências que se aplicam. O critério? Aquilo que te interessa e que queres para ti.

Não me interessam os procedimentos técnicos e invisíveis da estrutura de uma rede de telecomunicações.

Não me interessam os problemas conjugais de terceiros.

Não me interessam pessoas irresponsáveis.

Não me interessa entreter ninguém.

Thursday, November 3, 2011

"Mudar é bom, mas desde que te reconheças depois disso... e se isso não der certo".


É como o device software que às vezes volta para uma versão anterior por erro técnico.
Qual é o sentido de voltar atrás no tempo?
Voltar a uma coisa que, por mais familiar que te seja, não vais  r e c o n h e c e r

re-conhecer = voltar atrás
"Põe-te no meu lugar". OK, vou pôr-me literalmente no teu lugar.

Tantas, tantas vezes, quis ser aquela miúda que só posta fotos com muita gente à volta, aquele tipo com ar de engatatão, a depressiva que corta os pulsos em casa, a namorada que trai o gajo quando ele é um atrasado mental, o tipo aborrecido em casa que vai para um bar conhecer pessoas.

O que é que me impedia? O meu OS antigo, o meu OS pré-instalado, o meu OS pré-definido.

E porque isto é um update gigante, tem de ser feito por phases. Mas raramente é isso que eu quero (ou, quiçá, o que um humano quer): quero já, quero tudo. Quero já e tudo agora! Quero um estalar de dedos. Mas então... ia perder o caminho? O caminho é a melhor parte de todo o processo. Como chegaste lá; por que passaste; por que fizeste isto e aquilo; porque não fizeste isto ou aquilo?


Nos melhores momentos, há que ser paciente. Alguém que admiro e que não percebe nada do que eu estou a dizer (e não estou a falar de barreiras linguísticas apesar de também as haver) certo dia constatou:

I think most of us are more fond of getting to places in a roundabout way than in a straight line. The journey is always more fun than the arrival; the ritual is more exciting than the result. (...)

E claro que muitas vezes (dependendo do nível de malvadez) convém concentrares-te nos fins e não nos meios que usaste para os atingir. Porque o objectivo é mais nobre, mais vistoso e mais valorizado [provavelmente, por ti mesmo]. Não me estou a referir à dinâmica moral/imoral mas sim à dinâmica do poder. Conseguiste isto, logo tens mega poder nas tuas mãos... és invencível durante alguns minutos.

Como destruir o casamento de alguém. Como ir foder com alguém só porque não te apetece estar em casa a ver filmes. Como saber que aquela pessoa vai errar e ficar mal na fotografia e deixar que isso aconteça... porque não gostas dela.

E juro que quero desligar as feeds constantes, os avisos, as notificações mentais que me bombardeiam nos momentos mais reveladores. E é por isso que dou por mim a ansiar que o processo termine.

Para contrapôr os avisos faço uma colheita das provas de que é isto que eu quero. Exemplo disso é lembrar-me dos papéis que sempre quis interpretar.

Há tanta coisa para aperfeiçoar! Para sentir! Sair do personagem é talvez a dificuldade que mais se me apresenta - até agora. Dou por mim a agir como a old version agia. Pensar é que não - já não penso igual.

E quero saber tudo, quero questionar tudo. Mas é como ir ver um walkthrough de Tomb Raider. Qual é a piada de saltar o processo todo sem esforço? Vou sentir coisas com as quais sempre sonhei.