O processo de ser como tu.
Sou sociopata, vou provar os
teus sabores todos, do tutti-frutti à baunilha seca. Do rancor à condescendência. Do amor à paixão voraz, do ódio ao cansaço e da teimosia à inveja. Vais-me dando à escolha e eu aceito. Provoco-te e respeito-te. Desafio-te para o suor mas não me esqueces tão cedo porque já te entranhei e já te contaminei.
Ontem estava errado: ser tu não é uma questão de mentir. Mentir
implica fazer algo fora da norma. Quando não há norma não há certo nem errado e não
há verdade e nem há mentiras. Há verdades.
[Não serão suficientes as vezes em que frisarei isto.]
E o mais engraçado é que queremos conscientemente usar as verdades que
as outras pessoas percebem. Usamos os mesmos símbolos, palavras, tons,
expressões. Tudo. Damos o código e a chave de casa. Damos a encriptação e
o cofre. (A minha criatividade é esta: espelhar a humanidade.)
Eu cá ganhei aversão e ansiedade a e por grandes amontoados de gente assim que comecei a perceber (de) pessoas.
O meu manto de invisibilidade deixa-me possui-los e nem dão por conta. Não têm medo e o resto também não nota. Faço-me de ti, deles, daquela de quem gostas e provavelmente daquele que odeias - porque não tenho remédio e porque não tenho revistas para ler. Nada me poderá parar porque nada saberá a minha verdade (esta). Mas parar o quê? Estou a dar-te aquilo que queres sem sequer teres pensado em pedir. Uma de mim está aqui, outra... no vidro. Sou infinito porque somos sobrevisíveis.
Quero-te (queremos-te, queremos-vos) tanto.
E, sem sequer uma dor de cabeça, peso na consciência, alucinação, tiques, batimento cardíaco acelerado... vais levando a areia nos pulsos... por baixo das unhas,
entre a medúla e o osso
na paranóia
e entre os poros
e no teu pequeno orgasmo
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