Tantas, tantas vezes, quis ser aquela miúda que só posta fotos com muita gente à volta, aquele tipo com ar de engatatão, a depressiva que corta os pulsos em casa, a namorada que trai o gajo quando ele é um atrasado mental, o tipo aborrecido em casa que vai para um bar conhecer pessoas.
O que é que me impedia? O meu OS antigo, o meu OS pré-instalado, o meu OS pré-definido.
E porque isto é um update gigante, tem de ser feito por phases. Mas raramente é isso que eu quero (ou, quiçá, o que um humano quer): quero já, quero tudo. Quero já e tudo agora! Quero um estalar de dedos. Mas então... ia perder o caminho? O caminho é a melhor parte de todo o processo. Como chegaste lá; por que passaste; por que fizeste isto e aquilo; porque não fizeste isto ou aquilo?
Nos melhores momentos, há que ser paciente. Alguém que
I think most of us are more fond of getting to places in a roundabout way than in a straight line. The journey is always more fun than the arrival; the ritual is more exciting than the result. (...)
E claro que muitas vezes (dependendo do nível de malvadez) convém concentrares-te nos fins e não nos meios que usaste para os atingir. Porque o objectivo é mais nobre, mais vistoso e mais valorizado [provavelmente, por ti mesmo]. Não me estou a referir à dinâmica moral/imoral mas sim à dinâmica do poder. Conseguiste isto, logo tens mega poder nas tuas mãos... és invencível durante alguns minutos.
Como destruir o casamento de alguém. Como ir foder com alguém só porque não te apetece estar em casa a ver filmes. Como saber que aquela pessoa vai errar e ficar mal na fotografia e deixar que isso aconteça... porque não gostas dela.
E juro que quero desligar as feeds constantes, os avisos, as notificações mentais que me bombardeiam nos momentos mais reveladores. E é por isso que dou por mim a ansiar que o processo termine.
Para contrapôr os avisos faço uma colheita das provas de que é isto que eu quero. Exemplo disso é lembrar-me dos papéis que sempre quis interpretar.
Há tanta coisa para aperfeiçoar! Para sentir! Sair do personagem é talvez a dificuldade que mais se me apresenta - até agora. Dou por mim a agir como a old version agia. Pensar é que não - já não penso igual.
E quero saber tudo, quero questionar tudo. Mas é como ir ver um walkthrough de Tomb Raider. Qual é a piada de saltar o processo todo sem esforço? Vou sentir coisas com as quais sempre sonhei.
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