Declaração de Dependência
Considera(m)-se a(s) seguinte(s)
verdade(s) como evidente(s) por si mesma(s); que somos iguais, dotados
de certos direitos inalienáveis por nós próprios. Entre eles: a vida (o
oxigénio), a liberdade (não precisa de explicação) e a busca pela
felicidade (o que quer que isso signifique hoje ou amanhã).
Considero-me, auto diagnóstico, viciada. Agarrada, engatada, bloqueada
na tua mira e todas as outras metáforas que gostas de usar, que gostas
que eu use e que eu adoro gostar.
Não sei o que fazer, não sei o que dizer, quando penso em ficar sem
chocolate para o resto da vida. Sei o que sinto, que é tão difícil de
reescrever como a história das ampulhetas. Sei que consigo explicar o
processo científico e social do mecanismo que me trouxe aqui. Sei que,
pelo menos isso, entendo.
Declaro sob compromisso de honra que nada faço para entrar em conflito
com território limítrofe. Declaro sob compromisso de honra que possuo
cultura, língua, bandeira e hino nacional. Posso ainda estar em
progresso, como espero estar durante muito tempo, mas sou um país em
forte desenvolvimento socio-emocional e estou no Top 5 dos mais
promissores a nível continental.
Mais declaro que a velocidade a que evoluo depende do número que colocas na minha passadeira.
Depende das aldeolas que constróis e das ovelhas que colocas no meu
pasto. Depende dos exércitos que treinamos, juntos. E não estou a
declarar isto daquela forma neo-nojenta do «só escrevo por ti, por tua
causa, por tua razão, porque vives em mim, porque não tenho
personalidade e sem ti não tinha vontade de me escrever.»
Estou a declarar que me dás vontade de crescer, expandir, contagiar,
passar de corpo em corpo como uma epidemia e não parar nunca. Crescer
como um arranha-céus no Dubai e fazer uma salgalhada da epigenética.
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