Querida, eu estava a brincar quando disse que gostava de ti.
Na tua cama, eu estava a brincar quando fiz a pergunta.
Eu não queria que pensasses em mim. Mas não consegui parar-te. Nesse dia começou a corrida. Nesse dia começou uma guerra gelada. Entre a tua casa e a minha. Entre o teu corpo e o meu. Começou uma guerra impossível. (A paz também era impossível.)
Querida, eu estava a brincar. Vamos baixar as armas e fazer amor? Por favor?
E eu sei que vais ter muitos dias de férias e vais passear muito com ela. Vais tirar muitas fotos, mostrar muito a tua pele (a minha) e vais mostrar a toda a gente. Vais mostrar a toda a gente essa felicidade fabricada com base na minha dor. (Na minha e na tua.)
Nunca mais vais querer brincar, como querias, quando eu estava a dormir na tua cama. E quando te estavas a sentar em cima de mim, uma perna de cada lado. E oh, como brincavas comigo. Dizias que não éramos amigas. Dizias que me vias como uma amiga (a outra, nossa amiga.)
E dizias que só não gostavas de mim amanhã. Amanhã não dá. Hoje podemos brincar. Amanhã já não podes.
Já não temos amanhã.
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