Friday, February 10, 2012

Prelúdio (manual de instruções do morto)
Alucino o teu cheiro a toda a hora.
Alucino a tua face em cada esquina.
Imagino como seria encontrar-te agora.
Não sei que magia fizeste, estou vazia.

Na tua sepultura vou escrever: aqui jaz AV: mal amada, mal fodida e mal educada.

001Junho-002Julho

No fundo a culpa é tua, fumei os teus pintelhos tingidos a paprica. Overdose intravenosa de humilhação. No espelho vejo as letras que cravei na pele com a lâmina que te tirei do escroto.

Com a mesma lâmina cravei a dedicatória e o obituário. A minha zona erógena preferida é carteira. A tua é o lixo que apanhas do chão. Não te vão esquecer (eu sou eterno.)

Coloco comprimidos de cafeína debaixo das pálpebras. Se aqui não há noite, é porque toda a escuridão ficou no teu velório. Tanta gente te chorou que se fez um rio novo.

Rio com o teu nome no ar. O teu nome nos meus cabelos. Puxa-mos pelas pontas até não haver mais força nos cotovelos. Tu também rias (com tudo e com nada.)

A mim ninguém me ajuda a r-ir.

Cortisona para o romantismo; hoje sinto-me tão neuro-típico. Não estou legal.

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