Sunday, February 5, 2012


Mulheres a discutirem a fruta que conseguiram comprar ou o sabor q não conseguiram encontrar. Mulheres a discutir o tudo e o nada. O muito e o pouco. Enquanto ele as observava, rascunhava, piscava um olho e outro. Queria provas de que elas sentiam borboletas na barriga. Queria testá-las até às últimas razões. Queria a ciência dos sentimentos, o cálculo do afecto e a hereditariedade da verdade. Queria uma Bíblia por cada casa. (Havia dias em que adorava Jesus.)

E todas as suas namoradas discutiam as suas partes e as suas faltas e as suas dores. Discutiam ossadas, locais canibais, síndromes, sintomas que tais. Não tinham calendários e nem sequer precisavam.

Ele fazia o tempo, o tempo não lhe fazia nada.

E ele era um homem muito mau. Porque ele se queixava a cada uma com horários e agendas diferentes, com diálogos e interjeições. (Mantinha um histórico do rácio de sílabas por minuto, de cada uma, para análise posterior.)

Com vocabulário específico e personalizável, todos os dias tinham direito a uma viagem. Colocavam a moedinha no brinquedo e ele andava.

Ele dizia que não tinha culpa, porque só mamou durante quinze dias.

E ele falava como se nada fosse quando mudava de orelha - manualmente. Sem querer, às vezes enganava-se nas janelas e confundia-se nas falas. Ele sussurrava-me no ouvido, eu escutava e acreditava.

Foi assim que o topei.

Ele era um homem muito mau. Na sua mansão, tinha gavetas cheias de pequenos papéis, Post It's, recibos aproveitados do avesso, caderninhos com lantejoulas, listas infinitas, observações e tabelas. Pesava físico e mental como as senhoras da frutaria pesam bananas e gengibre.

Eu acreditei em tudo.

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