Friday, March 29, 2013

Há dias que não vejo nada senão este chão
Estas paredes
Estas camas e estas janelas.

Isto tanto podia ser uma prisão como um hospital.

O clímax da saúde e da doença, da felicidade e da tristeza.

A mim ninguém me tira daqui.

As amarras que me prendem são feitas de luxo e glória. São feitas de mais do que iogurte seco nos cantos da minha boca. São muito mais que a minha garganta seca. São feitas de mim e de ti.

As pessoas são cântaros de barro. Cheios de água. Quando a água transborda, tal não é a quantidade abismal de saúde ("tudo de bom!"), nasce um pequeno cântarozinho. Um mini eu ou um mini tu.

Mas a minha água secou hoje, evaporou. E agora estou vazio. E se me partem, transformo-me em pó. 
E assim já ninguém me compra. Já não sirvo.
21/03/13

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