querido pai natal,
queria ser a genitália que satisfaz os meninos
queria pôr lá dentro coisas boas
e tirar de lá as sombras.
queria pôr as lágrimas de alegria
e tirar de lá os sonhos maus.
queria pôr lá todos os desejos
e tirar de lá todos os falsos amigos
Não me deste ouvidos.
Agora todos os brinquedos vão pensar que são meninos e meninas de verdade. Vão atirar-se para o chão e vão partir-se. E eu não vou poder fazer nada sobre isso. Porque tu não leste a minha carta. Aquela que escrevi com a esporra de ontem como tinta. Na coxa da vizinha como papel.
Eu, no fundo, só queria ser a mão que faz entrar o que tu queres lá dentro.
Ficaria feliz ao ser o mensageiro.
Dizer-te que ele te ama muito.
Dizer-te o quão molhada ficaste.
Dizer-te que me arrepiou aquilo que disseste.
Não precisavas de me contar nada.
Eu só queria dar-te pontos de experiência e levar-te ao próximo nível.
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