Sou aquilo que tu torceste para eu não ser.
Sou aquilo que temias.
Aquilo que menos querias.
A maçã podre do cesto.
Sim, sou a puta da tua vizinha que nunca baixa o som do fado.
Sou cabra da tua ex-mulher que não te veja ver as crias.
Sou a equação que nunca se resolve; a gramática incorrecta; o jogador que só atrapalha.
Sou, sobretudo, a lâmpada que todo o mês se avaria.
Sou o 2 em 1 de azares em promoção-do-dia.
Sou o pacote de políticas que não ajuda ninguém.
Sou o espelho que nunca te responde e a televisão que nunca dá boas notícias.
Sou a coragem que nunca tiveste e o amor que não encontraste.
As vísceras que não desenhaste. O molho de tomate que fingiste ser sangue. Não cortes mais.
Já ninguém acredita.
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