Vais ficar enterrado
nas areias movediças de mim
como todas as fantasias obsoletas.E se eu deixo passar um dia em que não sinto a estalactite perfurar-me o diafragma então é porque não pensei no luto o suficiente. Ofendo a tua memória. Ofendo todos os momentos felizes que partilhámos. Ofendo-nos ao não sofrer.
Hoje passei o dia numa ilusão-sonho. Estive o dia todo num sonho-sonâmbulo-acordado. Começava com uma mentira. Depois, eu imaginava a verdade. Depois, ligava o ponto 23 ao ponto 24. Depois, o desenho formava-se-me na pálpebra mas ao contrário. E eu pensava que era assim que fazia sentido. Parecia que me estavas a esconder a surpresa. Uma grande surpresa no dia de Natal - mas tu estavas a fingir que ainda não era Natal. Ou pior, que o Natal já tinha passado. E eu - só de imaginar que podia estar a sonhar - chorava. Queria esfaquear a realidade e passar para uma utopia melhor - em que todas as mentiras faziam sentido porque me estavam a dar esperanças. As esperanças sabiam a açúcar em pó. O pó que fica nos meus brinquedos quando estás comigo.
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