"Liga-me."
Não sabias que eu iria ter o telefone dentro de mim quando ligasses. Não sabias quem eu ia ter dentro de mim quando me quisesses.
E tu pensavas que ias ter um jantar à luz das velas. Não sabias que elas iam ficar tão bem espetadas nos teus belos olhos verdes.
E pensavas que o sangue que ia descer pelas tuas pernas ia ser a menstruação misturada com a água do banho pós-coital - o meu duche favorito. Mas claro, também não sabias que um cacto podia ir tão longe não é? Afinal é só uma planta. Eu ofereci-te o cacto para saberes como é a sensação. De quereres desesperadamente ser tocada por alguém mas só causares dor. Cala-te, não menosprezes a minha emoção. Não faças pouco do meu amor-obsessão. Esse sorriso lindo que me dás não sabe que eu sonho todos os dias arrancá-lo do lugar. Eu não estava a brincar quando disse "um dia destes parto-te o sorriso".
O dia chegou e deixa-me que te diga: tens os caninos tortos mais bonitos que alguma vez vi. E os molares, rasgados da carne festiva, esses são os mais doces que já me passaram pelas papilas gustativas. Sim, não foi acidente quando te toquei no dente enquanto nos beijávamos. Não foi acidente.
Pensavas que eu te ia levar àquele bosque muito encantado porque disseste que adoravas uma das árvores mais que todas as outras. Não sabias que eu ia acelerar o carro deixando-te abraçar eternamente o seu tronco. Esmurrar a tua bela face contra o vidro partido. Epiderme, sílica, fauna. O meu quadro mais moderno.
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