ela conta corações partidos e saltita por caminhos labirínticos feitos de pedaços de vidro que estalam ao passar. ao seu redor há arbustos altos que chegam ao tecto.
quando ela se lembra de ver se a lua está favorável a tomar a direita ou a esquerda, ela vê que afinal o tecto é falso e até está com bastante humidade, sim senhor. o senhorio terá de tratar disto.
mas enfim, a estrada de vidro continua e continua a estalar por debaixo dos seus dedinhos dos pés bem pedicurados. e ainda por cima, ela tem medo de alturas! avante, camarada!
a certas alturas encontra beiras-de-estrada e áreas de serviço com spas e motéis e anões engraçados que lhe tentam partir o coração de novo. ela canta agradecendo a atenção mas continua a estalar o piso.
nas áreas de serviço ela aproveita para descansar a pedicure e apercebe-se que, neste caminho todo, tinha vindo a deixar cair moedas.
todos os vagabundos de quem ela fugia iam encontrar-lhe o rasto. pobres que se alimentam da sua bondade catastrófica.
Saturday, July 13, 2019
ela
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