Tuesday, September 4, 2012

tira as mãos de mim
tira-as de mim
tira tira
tira as mãos de cima de mim
de dentro de mim
de mim
tira essas mãos sujas
de mim
de dentro de mim.

não fui eu que te sujei de  mimos.

(ela tirou, com tanta tanta força.)

Isto não é mania, é a minha cetose. E dá-me ganas de entrar em combustão. E a seguir vais tu e as tuas fotos e os teus tampões sujos. E o teu papel alérgico sujo e as tuas fronhas infecciosas manchadas de maquilhagem e de prazer comprado na loja da esquina.

Tira de mim essa promessa de horror, rancor e pudor. Tu já não tens nada que me pertença. Portanto, despede-te.

E agora tens de bater à porta do teu próprio quarto.

O quarto que chora.
O quarto que berra.
O quarto que cora quando se lhe aponta o dedo.
O quarto que agora achas que quero refazer.
Desfazer.
Enaltecer.
Ampliar.
Branquear.

Eu sei que me queres branquear na tua memória.

"Ele não era assim tão mau."

E agora ficas a pensar naquelas vezes em que querias ter dito algo.

E agora ficas a pensar se me devias ter dado o teu número. Eu prometi que só mandava boas notícias.

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