Wednesday, February 18, 2026

ele

ele é audhd, voleibol e piano

eu sou aqui, ginásio e amor colectâneo.


eu toco aqui

ele responde ali.

os nossos horários são mais ou menos compatíveis

os mundos modernos...

os disponíveis.


quantas histórias tens para contar

sobre o teu mundo

no meu

a caminhar?


mundos paralelos

em que nunca nos encontrámos

paralelamente enamorados

desencontrados

mas encantados.


uma batida de asas de uma borboleta aqui

é o fim de um casamento ali.

(às vezes um acento pode mudar tudo.)


quantas listas de coisas tens

que não te deixo fazer?

quantas listas de defeitos

são precisas para te dizer

que és suficiente

és mais que suficiente

e eu nem te estudei.


não tenho de fazer zoom para te perceber

não tenho de me esforçar para te entreter

quantos crimes vamos cometer?

se calhar não sabes mas

passaste o litmus test sem saber.

cenários

as cenas que eu faço 

só pra te impressionar 

não são cenas de cinema

são histórias de encantar.


o tecido do tempo e do espaço 

os deuses, os políticos, e os astros

conspiraram uns com outros 

só para não nos encontrarmos.


crianças índigo nasceram

outras tantas foram abortadas

muito se passou na minha cozinha 

quantos pais ou mães divorciadas.


deus pátria ou família 

(não sei se ouvem as tuas preces)

ia ser demasiado candor

ninguém precisa de mais stresses.


quantos pianos ficariam por afinar

se eu não tivesse viajado?

quantos filhos ficariam por desdentar

se me tivesses encontrado?


não penses nos Ses da vida

diz sempre muita gente.

mas se não penso nos Ses lá atrás 

também não penso no que vem à frente.


e se não me souberes tocar,

nem sequer com conversa tântrica?

e se achares que eu cheiro mal?

nem vale a pena essa magia quântica.


e se te esqueceres da escova de dentes?

(já dissemos não a cenas platónicas)

não sei se quero saber o que sentes.

(mas mexes muito com as minhas placas tectónicas.)

time

7.20 i wake up
don't want to check you out 
8 o'clock i eat my breakfast 
wonder if your breath is loud

at 9.50 i share a song
get your lovely reply
easyjet or ryanair 
check out another flight
either way, i know...
it'd be hard to say goodbye.

all afternoon 
long distance 
gets me in a mood
(I don't wanna cry)
share another song
await another reply.

it's 9pm
I'm not here
nor there
ask another question 
plan another trip
just to get to your touch
before i fall asleep.

flights & flats

he came in unannounced.
my heart didn't skip any beat,
it bounced.

I wasn't particularly interested,
I was rather relaxed.
How ingenuous
that he found the right hacks,
that he chose the right tracks.

My books and giggles
captivated him, I guess.
The piano got to me,
I didn't want him distressed;
rather undressed.

And I don't particularly want to think
about the fact that I-
I look a little bit like his ex.
Not that I would ever mind
I'd just rather take my axe.

one day we were just chatting
I secretly looked at flights
he suddenly looked at flats
whose dreams were we crashing?

Not built for love:
this craving in my veins
it's everything I hadn't prepared for.
(A mother can't be craving anything than her child.)
Not quite what I'd signed up for:
craving to be on all fours
wandering
the inside of his doors
i wanna feed him from source.

I can't eat
(everything's tasteless)
it won't work
(words meaningless)
No need to think
(business hours).

All I want is to:
relive this feeling
relove this being
forcing him down on me
in the back of my head
craving his meal instead
won't make it to the bed.

I need him
inside me
again & again
in the songs I make him listen 
in the calls, I live imprisoned
in the pictures, can't envision 
in all those sins... no opposition.
in the body no one would Christen.

I need a plan and a plane.
he has a home 
and a couple of things I crave.

pari o alentejo

descobri q estavas a ocupar espaço em mim
borboletas... tornei-me num clichê
histórias, arrependimentos e medicamentos
aos pontapés, e eu não sei porquê.

testei-te algumas vezes,
só para ter a certeza.
não sabia o que fazer,
queria evitar a eventual tristeza.

é difícil entender
se é real, se realmente existes.
se te quero dar espaço 
se te aborto, ou persistes.

não sabia quem consultar
quantos meses esperar
que nome te dar
e tu crescias sem parar.

cada vez ocupavas mais espaço.
os meus olhos
o meu cérebro 
e até o baço.

tiraste-me a fome, o sono e o juízo 
dei-te alguns traumas, rotinas e um sorriso.

antes sequer de começarmos
esta nova vida
já me ocupavas tempo
empatia
e vontade criativa.

tentei imaginar o teu futuro:
de que irias precisar?
o que te poderia oferecer?
nas minhas entranhas tu continuavas a crescer.

a crescer na minha barriga
uma necessidade de te ver
genes maus ou romarias
os teus átomos compreender.

não sei se somos ímanes
ou se te tenho no coração 
vamos só ter um date!
eu, tu e a magnetização.

dei-te acesso ao meu brain
não há estações onde parar
neste runaway train
não tenho prioridade pra sentar.

as ondas rebentam em ti
acho que fui ao engano
não sei ainda o que vais ser pra mim
acho que pari um alentejano.