O emigrante não morre,
o emigrante apanha o avião.
Cada ocasião de férias é como uma morte na família que eventualmente vai acontecer.
O emigrante não sente felicidade,
sente alívio de ver os seus no mesmo sítio, as suas coisas no mesmo sítio, e os mesmos sítios de sempre.
O emigrante não faz planos porque ir a casa não é um passeio, é voltar ao normal.
O emigrante não faz planos de férias fora, porque as férias servem para voltar ao normal.
O emigrante nunca se sente normal.
O emigrante vive encolhido no estrangeiro porque não tem quem o ampare.
O emigrante não faz planos porque, eventualmente, vai ter de voltar.
Cada despedida é um prego no caixão, (depois de vários pregos no pão.)
Não está cá, nem acolá. Está no espaço liminar entre a tristeza e a loucura, a identidade nacional e a destreza de quem sabe os seus direitos como passageiro a bordo de um 737.
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