As agulhas entraram e alguém esqueceu-se de as tirar. Prefacio eu.
E ele tinha-me pedido o endereço de email no dia anterior. Eu sabia que, mais cedo (sem paciência) ou mais tarde (muito tempo nas mãos) eu ia chegar a invadir-lhe o espaço.
E ele perguntava-me o que têm de especial os meus lábios?
E eu respondia, que cheiram a virgem.
E eu perguntava-lhe o que têm de especial os teus olhos?
E ele respondia, que não vêem mais ninguém.
Eu disse-lhe, traz a mala cheia de mimos e de promessas e de esperanças. Sabes que eu não desisto de jogo nenhum.
Ele era gordinho e tinha pouca auto-estima. Ele era como um camponês pobre e gordinho. Ele não tinha uma esperança média de vida. Tinha uma esperança média de morte.
Monday, July 30, 2012
Monday, July 23, 2012
Tudo me corre bem. Mas ainda não estou satisfeita.
Fui ao frigorífico. Comi as minhas azeitonas favoritas. Mas ainda não estou satisfeita.
Sou mais bonita. Mas ainda não estou satisfeita.
Tenho dinheiro suficiente. Mas ainda não estou satisfeita.
Tenho saúde. Mas ainda não estou satisfeita.
Tenho tempo. Mas ainda não estou satisfeita.
Estou a poucas horas de ver o meu amor. Mas ainda não estou satisfeita.
Vou comer mais dois bocados de pão, pode ser que fique melhor.
A manteiga derretida assalta-me as gengivas. Aquele doce-salgado para o qual eu nasci. O meu favor preferido. O meu berço dourado.
(O meu pai não me levou à maternidade.)
E, na entropia de um sonho colorido com cheiro a batata-frita e promessas de algodão-doce, eu estou tudo menos satisfeita.
(O meu pai não me baptizou.)
Fui ao frigorífico. Comi as minhas azeitonas favoritas. Mas ainda não estou satisfeita.
Sou mais bonita. Mas ainda não estou satisfeita.
Tenho dinheiro suficiente. Mas ainda não estou satisfeita.
Tenho saúde. Mas ainda não estou satisfeita.
Tenho tempo. Mas ainda não estou satisfeita.
Estou a poucas horas de ver o meu amor. Mas ainda não estou satisfeita.
Vou comer mais dois bocados de pão, pode ser que fique melhor.
A manteiga derretida assalta-me as gengivas. Aquele doce-salgado para o qual eu nasci. O meu favor preferido. O meu berço dourado.
(O meu pai não me levou à maternidade.)
E, na entropia de um sonho colorido com cheiro a batata-frita e promessas de algodão-doce, eu estou tudo menos satisfeita.
(O meu pai não me baptizou.)
Saturday, July 21, 2012
e se tu não estás aqui, eu só posso fingir que falo contigo.
como não tenho nenhum transtorno esquizóide e tãopouco tenho dez anos, não posso literalmente falar com "amigos imaginários".Se calhar, facilitava-me a anormalidade.
Então vou-te deixando post-it's virtuais pelas redes sem fios onde me apanham. Palavras-passe, correio electrónico, links para os corpos que não tenho e para as caras que não vemos. Eu e tu viajamos por sítios que não têm a partícula de Deus a segurar quem somos.
Falas por cima de mim. Como naqueles filmes de terror em que o personagem secundário é possuído por um demónio. E, nesse momento, ouve-se as vozes dos dois actores. Tu por cima da minha voz. Eu falo com a tua boca.
EuTuEuTuEuTu
como não tenho nenhum transtorno esquizóide e tãopouco tenho dez anos, não posso literalmente falar com "amigos imaginários".Se calhar, facilitava-me a anormalidade.
Então vou-te deixando post-it's virtuais pelas redes sem fios onde me apanham. Palavras-passe, correio electrónico, links para os corpos que não tenho e para as caras que não vemos. Eu e tu viajamos por sítios que não têm a partícula de Deus a segurar quem somos.
Falas por cima de mim. Como naqueles filmes de terror em que o personagem secundário é possuído por um demónio. E, nesse momento, ouve-se as vozes dos dois actores. Tu por cima da minha voz. Eu falo com a tua boca.
EuTuEuTuEuTu
Thursday, July 19, 2012
Porque, na minha realidade pouco-alternativa, quem não me quer comer é meu inimigo.
Deve ser abatido a sangue mais ou menos frio.
Sou um santo sem moral e moro no último andar do inferno.
Eu como por ti.
Eu fodo por ti.
Eu mato por ti.
Olá, sou um vampiro simpático.
Sugo-te as mamas ao acordar.
Chupo-te as esperanças ao adormecer.
Preciso de inventar jogos para viver.
Imagino-te levantar, comer, ir trabalhar
e depois imito-te como um mimo desempregado.
Deve ser abatido a sangue mais ou menos frio.
Sou um santo sem moral e moro no último andar do inferno.
Eu como por ti.
Eu fodo por ti.
Eu mato por ti.
Olá, sou um vampiro simpático.
Sugo-te as mamas ao acordar.
Chupo-te as esperanças ao adormecer.
Preciso de inventar jogos para viver.
Imagino-te levantar, comer, ir trabalhar
e depois imito-te como um mimo desempregado.
Friday, July 13, 2012
E se um drogado quer sempre mais?
E se um obeso quer sempre mais?
O que vai ser de mim, quando trincar o teu prepúcio já não for suficiente? O que tens para me oferecer?
Enche-me de serotonina.
Deixa-me na carne dopamina.
Traz-me à cama oxitocina.
A nossa testosterona e o nosso estrogénio jogaram à batalha naval. E nós ficámos a ver.
t e e s s t t r o o s g t é e n r i o o n a
Quantos somos? Somos a soma que ainda ninguém fez.
E se um obeso quer sempre mais?
O que vai ser de mim, quando trincar o teu prepúcio já não for suficiente? O que tens para me oferecer?
Enche-me de serotonina.
Deixa-me na carne dopamina.
Traz-me à cama oxitocina.
A nossa testosterona e o nosso estrogénio jogaram à batalha naval. E nós ficámos a ver.
t e e s s t t r o o s g t é e n r i o o n a
Quantos somos? Somos a soma que ainda ninguém fez.
Kegel entende-me, sabe o que eu quero. E, principalmente, sabe do que eu preciso.
Kegel nos semáforos
Kegel na bomba de gasolina
Kegel no drive-in
Kegel no ginásio
Kegel até no local de trabalho.
Kegel no banho,
Kegel durante o Skype.
Kegel durante o jantar.
Kegel enquanto passo a ferro.
Kegel no supermercado.
Kegel no cabeleireiro.
Kegel enquanto me vejo ao espelho.
Kegel enquanto me venho.
Kegel nos semáforos
Kegel na bomba de gasolina
Kegel no drive-in
Kegel no ginásio
Kegel até no local de trabalho.
Kegel no banho,
Kegel durante o Skype.
Kegel durante o jantar.
Kegel enquanto passo a ferro.
Kegel no supermercado.
Kegel no cabeleireiro.
Kegel enquanto me vejo ao espelho.
Kegel enquanto me venho.
Thursday, July 12, 2012
de mim
até ti
sou eu
que vou
e não
me dou
a mais
nenhum
porque
só assim
sei que
sou
aquilo
que vai
chegar
ao fim
Ele dizia-me que sim todas as vezes. Ele dizia que eu era a melhor coisa que ele tinha. Ele não me queria actualizar. Ele dizia-me coisas cor-de-rosa ao ouvido. Eu saía dele como se saísse de um túnel escuro e húmido. Eu não me sentia nada cor-de-rosa com ele. Ele era uma pessoa nos meus ouvidos enferrujados. Eu não sabia latim tão bem como ele.
cheirar
a tua
carne
cor
carmim
o teu
amor
que não
é indolor
o teu
sofrer
que não
é incolor
todo
quero
-te
Tuesday, July 10, 2012
Quem me dera andar de baloiço. Ver a vida ir para trás das costas, suavemente. Quem me dera sentir sempre uma brisa agradável no rosto. Não precisar de tempestades nem bonanças. Deixar-me ir com as ondas calmas de um poço.
Nunca ter Norte. Nunca ter destino. Quem será este, o destino? Ele responde-me sempre tão tarde. Ele não me deixa ir brincar. Ele só me diz que é muito perigoso (brincar). Diz-me que temos de ter planos e soluções para tudo o que possa acontecer de errado. Diz-me que tenho de aprender a querer rebuçados e a não querer palmadas. Mas eu nem sou nada gulosa. Acho que sou ao contrário. Boneco triste.
Ele diz: uma recompensa pode muito facilmente tornar-se num castigo. Basta activar os comandos errados, usar a palavra errada ou colocar mal uma vírgula. E o jogo passa a ser outro.
Nunca ter Norte. Nunca ter destino. Quem será este, o destino? Ele responde-me sempre tão tarde. Ele não me deixa ir brincar. Ele só me diz que é muito perigoso (brincar). Diz-me que temos de ter planos e soluções para tudo o que possa acontecer de errado. Diz-me que tenho de aprender a querer rebuçados e a não querer palmadas. Mas eu nem sou nada gulosa. Acho que sou ao contrário. Boneco triste.
Ele diz: uma recompensa pode muito facilmente tornar-se num castigo. Basta activar os comandos errados, usar a palavra errada ou colocar mal uma vírgula. E o jogo passa a ser outro.
Mas eu só me pergunto: o que é o errado, então? Onde está a tabela dos prós e dos contras e dos certos e das cruzes e dos mais e dos menos? Quem a escreveu?
Sim, o meu modus operandi é como uma bulímica pensar que faz fisting à boca. Ele é o nível mais difícil, mas eu com ele sou mais que muitas (somos o que está para além do infinito.)
Sim, o meu modus operandi é como uma bulímica pensar que faz fisting à boca. Ele é o nível mais difícil, mas eu com ele sou mais que muitas (somos o que está para além do infinito.)
Monday, July 2, 2012
e eu juro que teria feito qualquer coisa.
e quando eu digo qualquer coisa, não digo escrever um poema.
compor uma música. comprar-te flores.
eu juro que até rapava o meu cabelo bonito só para ti.
que vendia as minhas botas brilhantes só para não teres ciúmes.
que desaparecia da vida dos meus amigos só para ter mais tempo para ti.
quem me dera que me tivesses dado a escolha. a escolha de eu, finalmente, fazer algo com significado.
quem me dera que me tivesses dado a oportunidade de salvar o mundo. o teu mundo. afinal de contas, tu salvaste o meu.
mas tu preferiste desistir do jogo, no intervalo. e agora choras. e tentas recuperar as fotos que rasgámos.
e agarras-te ao musgo das paredes.
e agarras-te às memórias que eu nunca guardei.
e agarras-te ao perdão que eu nos não dou.
e agarras-te àquilo que eu já não sou.
e quando eu digo qualquer coisa, não digo escrever um poema.
compor uma música. comprar-te flores.
eu juro que até rapava o meu cabelo bonito só para ti.
que vendia as minhas botas brilhantes só para não teres ciúmes.
que desaparecia da vida dos meus amigos só para ter mais tempo para ti.
quem me dera que me tivesses dado a escolha. a escolha de eu, finalmente, fazer algo com significado.
quem me dera que me tivesses dado a oportunidade de salvar o mundo. o teu mundo. afinal de contas, tu salvaste o meu.
mas tu preferiste desistir do jogo, no intervalo. e agora choras. e tentas recuperar as fotos que rasgámos.
e agarras-te ao musgo das paredes.
e agarras-te às memórias que eu nunca guardei.
e agarras-te ao perdão que eu nos não dou.
e agarras-te àquilo que eu já não sou.
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